Sim, estou falando das manifestações de ontem. Todavia, e preciso lembrar que: por trás de uma campanha publicitária bem feita, há algo muito mais valioso do que o orçamento investido. O verdadeiro valor de uma peça de marketing não está em cifras, mas em seu poder simbólico: o de moldar percepções, construir reputações e, em muitos casos, fabricar realidades.
Em sua melhor forma, uma peça de marketing opera milagres. Ela transforma produtos ordinários em objetos de desejo. Reescreve biografias frágeis como se fossem jornadas épicas. Faz parecer virtuoso o que, na prática, é apenas oportunismo bem embalado. Basta um slogan inspirado, uma imagem bem dirigida, um tom emocional na medida certa — e o público acredita. Ou dizem que acredita.
Isso não é exagero. É técnica. E mais: é estratégia.
Empresas com histórico ambiental questionável tornam-se "verdes". Políticos desacreditados surgem como “renovadores”. Governos que promovem restrições passam a ser vistos como “protetores do bem comum”. Tudo isso por obra e graça de campanhas cuidadosamente construídas. Não importa o que é — importa como parece ser.
Essa era a realidade até a tecnologia levar o mundo livre para fora de um cabresto colocado por uma elite dominante.
As redes sociais foram um ponto de inflexão em um mercado onde a mentira mais bem contada tornava mais palatável aos povos, a aceitação de um destino já traçado pelos donos do poder.
Com o surgimento de vozes independentes e a descentralização da informação, o marketing político — para continuar funcionando — precisou fazer ainda mais do que já fazia: mentir melhor, com mais sofisticação, com mais camadas de verniz. Questão de sobrevivência para um ecossistema comprometido.
As manifestações do dia de ontem, 03/05/2025, em todo o Brasil, são provas irrefutáveis de como a realidade se impõe diante de uma gigantesca peça publicitária — certamente a mais cara da história nacional. Uma campanha permanente, mutante, que dentro de si mesma gera outras campanhas menores, costuradas com narrativas delirantes, frágeis, e que afrontam a experiência concreta da população.
Essa encenação toda foi coroada com uma frase que virou bordão: “o amor venceu”. Antes dela, já havíamos ouvido, do mesmo campo ideológico, “o amor venceu o medo”. O que se omite é que, no fundo, o medo nunca foi vencido — apenas manipulado. E o amor, distorcido em slogans, tornou-se blindagem de um projeto que, de amor, só tem o nome.
O fato verdadeiro nisso tudo é que a realidade tem força própria. Ela se impõe diante de qualquer marketing, por mais bem produzido que seja, quando há liberdade de escolha. Produto ruim engana enquanto seus males são desconhecidos. Uma vez revelado, só os viciados — ou os que lucram com ele — insistem em defendê-lo.
As maiores ditaduras da história começaram do mesmo jeito: narrativas bonitas para justificar medidas cruéis.
A resposta para esse momento terrível não podia ter sido melhor. Um momento onde o marketing do sistema usa, de forma orwelliana, a novilíngua — dando sentido oposto ao original de termos usados à exaustão para justificar seus atos e os resultados desses atos. Um Brasil tomado por pessoas nas ruas, onde podemos, com clareza e firmeza, cravar: a realidade venceu o medo. A verdade venceu a propaganda.
E isso não é peça de marketing. Não é propaganda enganosa. É a publicização da realidade pelo bom, orgânico e velho boca-a-boca. O medo paralisa, mas a verdade liberta. E ontem, o Brasil deu um passo que regimes autoritários tentam impedir a qualquer custo. Foi às ruas por liberdade.
Sigamos combatendo o bom combate.