Ele há o Homem-comum.
E neste colossal conjunto, às páginas tantas, alguém é abalroado por um chamado.
Mas a tendência inicial, em todos aquele que o sente, é a de recusar / denegar o mesmo.
Surge, então, a figura do mentor, do mestre, da inspiração que lhe incutem a necessidade da travessia, a vontade de atravessar um primeiro portal – o da recusa…
Nesse inicial processo ele deparar-se-á com as primeiras provações, encontros, parcerias e antagonismos.
A reação, pois, e de antemão, passa a ser de refúgio e clausura, mas por pouco tempo, pois que a suprema provação emerge, como que espontaneamente, e, com ela, a transposição do, agora sim, grande portal passa a advir…
O momento em apreço é o da iniciação.
Sim, todos vós, os poucos que passeis a encetar tal jornada sois chamados ao confronto a partir de certos e determinados gatilhos / problemas.
E estes advêm de fontes internas e / ou externamente.
O exterior é composto pelos obstáculos / desafios impostos por outras circunstâncias / pessoas que impactam vosso caminho.
O interior são os obstáculos internos que vós próprios levantais.
No monomito do Campeão jamais haverá sucesso com o problema externo se falhar com o interno. Quanto mais difícil o problema externo, mais profundo e introspectivamente ele deverá ir dentro de si – entrais, portanto, aqui, no caminho do iniciado…
Os maiores atos de heroísmo exigem a maior das autotransformações.
Os desafios externos supremos exigem campeões capazes de serem genuínos deuses, pois que podereis transformar o mundo inteiro assim vos transformando.
A ressurreição passa a ser a palavra de ordem.
A esmagadora maioria de vós habita numa zona de conforto buscando prazeres fáceis com vista a tornar a vida mais aprazível – é legítimo.
Nesse registro, contudo, nunca enfrentareis problemas externos de maneira significativa. Desenvolvereis, a todo o tempo, mecanismos de defesa do ego, como negação, deslocamento e projeção para evitardes enfrentar tais problemas.
Tereis medo de desafiar as determinações e decretos mais estapafúrdios das autoridades da vez, de vos libertardes dos costumes sociais, de vos separardes do rebanho e partir para destinos, dolorosos, sim, mas insondáveis, extraordinários e inefáveis.
Receio do trabalho desafiador, de correr riscos, de serdes incomuns ou estabelecerdes metas que à partida se vos apresentam irrealistas.
Acima de tudo aparentais ter medo de alcançar o vosso eu / consciência superior, porque tal mudará vossa vida radicalmente para sempre e poderá resultar em completa separação do vosso antigo mundo e confortável modo de vida.
Viveis em um mundo falso, aparente, assente na má-fé, no egoísmo, hedonismo, escravização da alma, coisificação e, como tal, numa falsa consciência e discernimento.
Vós sois, portanto, inautênticos.
Para contrariar este estado de coisas precisais, desesperadamente, construir uma cultura de Campeões, uma sociedade de heróis.
É hora de vos separardes do trivial mundo que vos enredou em mesquinhas preocupações, falsas crenças, idiotização e prazeres fáceis / descartáveis que atingem a data de validade quase tão logo se tornam alcançáveis.
É hora de cruzardes o linear que separa o comum do extraordinário.
O caminho do Herói está bem na vossa frente, todo demarcado para vós, mas é um caminho que pouquíssimos seguirão.
Dai, pois, o primeiro passo em direção ao território desconhecido e começai o processo de vos transformardes de metal comum em ouro – a genuína alquimia.
O monomito do Campeão é o supremo ato alquímico que pega a matéria-prima, nós mesmos, e a transforma, purifica e aperfeiçoa até reluzir, cintilar e resplandecer qual ouro do mais fino quilate.
A verdadeira jornada do Campeão começa no ponto em que vós cruzais o linear que separa o ordinário e corriqueiro do fabuloso e extraordinário.
Quando o Campeão abre a porta que o leva do mundo dos dias comuns para o mundo incomum sua vida muda para sempre.
De um jeito ou de outro nunca mais sereis os mesmos.
O homem inconsciente e zumbificado até olha, curiosamente, para a porta estranha e estreita que o levará a um novo mundo. Por um tempo parece-lhe atraente, mas ao aproximar-se, a porta como que emana um poder terrível, um campo de força invisível que a todos aqueles afeta, exceto os buscadores, despertos, diferenciados e indômitos.
O Herói que advirá do outro lado da porta, o lado que apenas a humanidade superior experimenta, não terá nada além de sua divindade interior para sustentá-lo e guiá-lo.
Não haverá mais elementos / forças inconscientes a partir desse momento e lugar.
Não haverá, pois, caminhos fáceis, opções suaves ou sonhos irrealizáveis.
Vós não viestes aqui para gratificação instantânea.
Vós viestes para operar o milagre: vos transformardes de barro cinza em ouro reluzente.
Mas, por óbvio, tal jornada é árdua…
Assim como em Dante, o Campeão terá de abrir a porta do inferno e se aventurar nele, local aonde residem todos os seus medos mais profundos.
Mas o benfazejo paraíso o esperará – é isso que o move…
O inferno será, tão só, o caminho final das provações.
Vossa tarefa a partir de então, percebei-o, será a de substituir o vosso errante ego num processo grandioso – divinal.
Vosso eu superior, sendo imortal, quando totalmente consciente de tal condição tornar-se-á indistinguível de Deus.
Tal passagem, rito, experiência e logos permitirão que passeis a ponte dos intransponíveis.
O logos é a intuição final.
É o ápice do processo imaginativo.
O logos é escutar, sentir e consciencializar o pulso quântico.
Tal significa e implica separar vossa mente do mundo mortal, da consciência comum e do pensamento linear, para abraçar o mundo intra e inter dimensional, imortal, infinito, onde tudo se interconecta e emaranha.
No fundo, o processo de transcenderdes a vós mesmos.
Vós deveis alcançar uma escala milagrosa que se desintegra, degrau por degrau, ao escalardes-la.
Não haverá caminho de volta.
O Campeão é determinado, dedicado e resoluto.
Ele é autodefinido.
Ele se autocria.
Ele não para.
Ele não cede.
Ele fará o que for preciso.
É isso que o torna diferente dos demais.
Ele sabe que nada de grande pode ser alcançado sem tamanho sacrifício.
O Herói deve suportar a dor para, como prêmio, desfrutar das mais altas alturas da grandiosidade humana.
A jornada deixar-lho-á, verdadeiramente, moído de corpo e alma.
Um Cristo parecerá…
Mas, vós percebeis, certo?
Afinal de contas é essa a metáfora, a parábola e a analogia da revelação-mor…
Eis a jornada do Campeão.
Ele desce ao submundo onde deve suportar uma provação horrível na qual o seu errante ego perece.
Somente, então, o aspirante a Herói estará capacitado e poderá promover um renascimento espiritual surpreendente, iniciando-se nos mistérios superiores.
Transcenderá!
Transmutar-se-á!
Deparar-se-á com a Pedra Filosofal.
E penetrará, assim, no Quantum.
Por fim, o Retorno.
O Campeão se aventurou em hercúleas tarefas para descobrir o que é, realmente, um milagre, para validar sua existência e justificar todas as escolhas difíceis que ele teve que fazer para tal.
Ele superou obstáculos terríveis e suportou as provações mais assustadoras.
Ele desafiou probabilidades incríveis e conquistou, triunfantemente, seu título e premiação.
Mas agora ele terá que se deparar com uma escolha fatídica – um dilema.
Terá que escolher permanecer no mundo extraordinário a que acedeu ou retornar ao mundo comum com a aura, a vontade, a cara e a coragem para auxiliar outros (principalmente, seus afetos) a seguirem seus passos.
E neste caso, voltar ao comumente é, também ele, repleto de desafios, frustrações e revezes.
Ainda assim, se o chamado ao ordinário mundo é insistente o suficiente, o Campeão não tem escolha a não ser remar contra a danada maré…
É esta a razão pela qual, ao lavar dos cestos e no frigir dos ovos, o Campeão, pois que nunca deixará de ser humano, será sempre atormentado pela dúvida em torno de “um se”:
“se a nova condição adquirida a duras penas será mais uma maldição que uma benção”…
Tomada, todavia, a decisão, a partir desse momento, não permitirá que nada nem ninguém o atrapalhe;
Como criatura de destino que é;
Que passa a saber o que significa ser realmente livre;
De ser mestre em dois mundos...
Eco
Fonte/Créditos: Juntando as peças com intelecto, cognição e lucidez impoluta™
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