“Hoje eu disse para os senadores: ‘Eu não quero incendiar o país!’ Eu sou a única pessoa que poderia incendiar esse país… E eu não quero fazer como Nero, sabe? Não quero! Sou um homem de paz, tenho família”.
Lula da Silva, em conversa interceptada pela Polícia Federal, falando sobre as consequências da ofensiva da PF e do Ministério Público, em 9 de março de 2016.
Em um Brasil que parecia explodir em desejo de liberdade, justiça e em dar um "basta" aos mal-feitos que sempre fizeram parte dos hábitos da nação, o atual Presidente da República, na condição de investigado por chefiar a quadrila que roubava o Brasil, ameaçava fazer algo que jamais conseguiu, não pelo menos num formato ostensivo, exclamativo e imediato.
O tempo passou e o destino se encarregou de dar outros caminhos ao país, levando-o à uma direção "fora do controle" (e dos interesses) daqueles que sempre dirigiram a nação.
Fato é que se o Brasil não fora incendiado de imediato por esse sujeito e sua entourage, com o passar do tempo, após uma sequência histórica de fatos marcantes que lhes impuseram derrotas e o justo emprego da lei por crimes e mais crimes cometidos, restou aos seus verdugos de outrora, sem opções diante de uma situação fora do planejamento dos mesmos, resgatar a velha e cansada figura populista e falaciosa, transformá-lo na "na alma mais honesta do país", para reverem o controle e defenderem os interesses internacionais que sempre se sobrepuseram aos interesses do povo brasileiro.
Apesar da ameaça de um país incendiado e dividido (não em partes iguais), não tivemos o fogo, o incêndio, tivemos tão somente uma cortina fumaça produzida e estimulada, talvez a base de gelo seco, já que fora friamente calculada para confundir e criar a condição necessária para conter a energia de um povo que começava a vislumbrar e se entusiasmar com a possibilidade, cada vez mais real, de vivenciar o tão falado futuro do país do futuro.
E o plano audacioso acabou dando certo, ainda que tudo tenha sido da forma mais errada possível. No tabuleiro dos interesses nacionais, influenciado ferozmente pelos interesses internacionais, através de elites que sempre exploraram o Brasil e o seu povo, esse mesmo povo não foi páreo, apesar de suas demonstrações populares de insatisfação e esperança numa reação, para uma nova ordem mundial, repleta de imposições e controles e que se vale das agências de propaganda do sistema (mídia mainstream), criando a narrativa dominante dos noticiários e fazendo com que o cidadão comum acredite cegamente naquilo que ele escuta e não naquilo que seus olhos podem ver, investindo o mínimo de atenção.
E como nem tudo é narrado 9somente o que interessa é narrado), poucos conseguem enxergar naquilo que é exibido em meio ao turbilhão de imagens e informações do dia-a-dia, as diferentes matizes que dão o colorido que se apresenta para o grande público. Desse modo, ainda que muitos entendam a combinação de cores feita às claras e na nossa cara, por todos aqueles que precisavam expurgar o povo do poder, na figura do Presidente Bolsonaro, ainda hoje há muita confusão e muito mais desejo do que entendimento daquilo que realmente está ocorrendo por aqui.
Ainda que possam ser usadas como pretextos as condições econômicas, crimes de corrupção, falta de sustentação política, a esperada queda do atual mandatário da nação só se dará, se é que se dará, se realmente o Presidente equilibrista que colocou um pé em cada canoa dos movimentos globais (globalismo ocidental e eurasianismo) errar demais na prática de uma das suas principais especialidades que é a de atender a todos e fazer acordos sem fim. Desse modo não falo aqui da política interna e sim dos dois grupos de poder internacionais que atuaram nas eleições brasileiras.
As revelações de interferência norte-americana nas eleições brasileiras, trazidas pelo jornal britânico Financial Times, apenas esclarecem aquilo que já se imaginava sobre os momentos vividos por aqui. A capa do jornal francês Liberátion nesta sexta-feira, 23, com o título “Lula, a decepção”, alegando que o petista é um “falso amigo do Ocidente” dão o tom da disputa de poder pelo Brasil.
Talvez essas revelações sejam uma reação patrocinada pelo outro bloco que vem sentindo a pressão exercida por norte-americanos ao atual mandatário. Como na fábula do escorpião, Lula da Silva não conseguiu fugir à sua natureza e isso começa a ser cobrado pelo lado prejudicado, o dos americanos, que, segundo a reportagem ajudaram na "manutenção da democracia e respeito ao resultado eleitoral", ou seja, mexeram seus pauzinhos para que o maior corrupto do Brasil voltasse à cadeira presidencial.
Em sua campanha internacional contra o dólar, em sua ida como garoto de recado de Rússia e China ao G7, suas declarações desastrosas sobre a Ucrânia e a Europa (como a mais recente em relação ao acordo com a União Europeia e Mercosul), além de acordos internacionais com a China, levaram os norte-americanos socialistas, do partido Democrata, chegarem a constatação de que Lula os traiu.
Talvez aí se explique as imagens reveladas pela CNN, agência de propaganda dos democratas. Talvez aí se explique as aparições públicas de Klaus Schwab ao lado de Alckmin, Temer e Tarcísio, nos mesmos dias de Lula da Silva perambulando pelo G7.
Portanto, apesar das distrações internas, que podem levar o povo brasileiro acreditar que, mais uma vez uma explosão de civilidade e patriotismo mudaram os rumos da nação, se essa mudança realmente acontecer, eu não tenho dúvidas de que ela virá, repito, se vier, de uma implosão catastrófica (que não seria nada catrastófico para nós brasileiros). Ou seja, o movimento de mudança de comando na nação (a energia) não sairá de dentro para fora e sim de fora para dentro, ainda que as percepções sejam manipuladas e que os entendimentos dos conceitos sejam desconhecidos pela maioria da sociedade, como aconteceu o impeachment de Dilma Rouseff.
O que nos restará será aproveitar a energia desse fato (caso ele realmente ocorra), para avançarmos uma casinha no movimento de retomada do Brasil pelos próprios brasileiros. E, não se enganem, o cenário internacional é quem determina isso.
Fonte/Créditos: Gustavo Reis