A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinou ao menos R$ 24 milhões a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, para a execução de atividades como invasão de sistemas ligados a investigações, intimidação de adversários e ações para retirar conteúdos considerados prejudiciais ao banco em redes sociais e na internet.
O cálculo apresentado pela PF foi feito a partir de planilhas de controle financeiro atribuídas a Vorcaro. Nos registros analisados pelos investigadores, o nome de Mourão aparece associado a um pagamento fixo mensal de R$ 1 milhão. Como os repasses teriam ocorrido ao longo de 2024 e 2025, os policiais estimam que o total recebido por ele possa ter alcançado, no mínimo, R$ 24 milhões.
– É plausível inferir que Sicário pode ter recebido no mínimo R$ 24 milhões, tendo em vista que estava incluído na lista de despesas mensais para receber R$ 1 milhão por mês e que estes pagamentos perduram pelos anos de 2024 e 2025 – afirma a Polícia Federal em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e obtido pelo jornal O Estado de São Paulo.
Luiz Phillipi Mourão foi preso no último dia 4 de março durante a Operação Compliance Zero, que investiga o caso das possíveis fraudes envolvendo o Banco Master. Ele morreu no dia 6 de março, dois dias após ser internado em um hospital em Belo Horizonte ao tentar tirar a própria vida na cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais.
Conversas extraídas do celular de Vorcaro também detalharam parte das tarefas atribuídas a Sicário. Em um episódio ocorrido em outubro de 2025, o banqueiro demonstrou preocupação com a possibilidade de ser alvo de uma ordem de prisão internacional.
Nas mensagens, Vorcaro solicitou a Mourão que verificasse se havia algum alerta contra ele nos sistemas da Interpol, organização internacional que reúne polícias de diversos países. Sicário então acionou um contato para fazer a consulta e encaminhou uma foto da tela ao banqueiro.
– A Interpol está limpa – escreveu Mourão em 24 de outubro de 2025, para na sequência dizer que aguardava um relatório principal do FBI, o departamento federal de investigação dos Estados Unidos.
Segundo os investigadores, parte das atividades atribuídas a Mourão também envolvia a articulação de outros integrantes do grupo. Um deles seria Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que, de acordo com a investigação, atuaria na obtenção de informações e no monitoramento de pessoas consideradas adversárias.
Nas conversas analisadas pela PF, Marilson aparece como responsável por coordenar um grupo chamado de A Turma, descrito pelos investigadores como uma espécie de milícia subordinada aos interesses de Vorcaro. Os recursos destinados a esse núcleo, segundo o relatório policial, podem ter alcançado cerca de R$ 9,6 milhões, valor que teria sido dividido entre quatro integrantes.
As defesas de Daniel Vorcaro e de Luiz Phillipi Mourão não se manifestaram sobre o conteúdo das acusações.
Fonte/Créditos: Pleno News
Créditos (Imagem de capa): Fotos: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo // Reprodução/Print das redes sociais
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