A divulgação do maior lote de arquivos do caso Jeffrey Epstein trouxe à tona um vídeo inédito em que o financista responde a perguntas diretas sobre a origem de sua fortuna e sobre as acusações de crimes sexuais. As imagens fazem parte do terceiro conjunto de documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
No vídeo, Epstein aparece sentado, usando óculos e camisa preta. Em determinado momento, ele é questionado sobre se seu dinheiro seria “dinheiro sujo”.
O financista nega e afirma: “Não, não é”. Ao ser pressionado, responde: “Porque eu o ganhei”.
O entrevistador então afirma que a fortuna teria sido construída ao “aconselhar as piores pessoas do mundo, que fazem coisas enormemente ruins”, ao que Epstein rebate dizendo que “ética é sempre um assunto complicado”.
Ele também declara ter feito doações para tentar erradicar a pólio no Paquistão e na Índia.
O tom da entrevista muda quando Epstein é questionado diretamente sobre as acusações criminais.
Perguntado “O que você é, [um] predador sexual de classe 3?”, ele responde: “Nível 1. Eu sou o mais baixo”.
Na sequência, ao falar sobre doações, Epstein afirma: “Acho que, se você dissesse a eles que o próprio diabo falou: ‘Vou trocar alguns dólares pela vida do seu filho’…”.
O entrevistador reage: “Você acha que é o próprio diabo?”.
Epstein responde: “Não, mas eu tenho um bom espelho” e, depois, encerra: “Não, o diabo me assusta”.
Steve Bannon
A pessoa que faz as perguntas não aparece no vídeo, mas, segundo a Sky News, trata-se de Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump, que ocupou o cargo durante os primeiros sete meses do primeiro mandato do republicano.
Não há informações sobre quando ou onde a entrevista foi gravada, nem por que Bannon conversava com Epstein.
As imagens fazem parte do terceiro e maior conjunto de arquivos do caso, divulgado na sexta-feira, 30.
O material reúne cerca de 3 milhões de páginas de documentos, além de 180 mil imagens e aproximadamente 2 mil vídeos relacionados às investigações sobre Epstein.
Entre os documentos, há também e-mails que reacenderam controvérsias envolvendo figuras públicas, como mensagens atribuídas a Sarah Ferguson, ex-duquesa de York, enviadas a Epstein em 2010. O contexto exato dessas mensagens ainda não está claro.
Os novos arquivos também incluem denúncias sensíveis e exigem cautela, segundo autoridades, já que liberações anteriores chegaram a conter material falso, posteriormente removido.
Fonte/Créditos: O Antagonista
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