O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou um cenário de forte hostilidade neste sábado (28) durante visita a Ubá, na Zona da Mata mineira. A agenda oficial previa a vistoria dos estragos causados pelas chuvas que devastaram a região nas últimas semanas, mas a recepção de parte da população transformou o evento em um ato de protesto aberto contra o governo federal.
Durante o deslocamento da comitiva pelas ruas da cidade, moradores se concentraram para manifestar indignação. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram manifestantes entoando gritos como “Lula ladrão, seu lugar é na prisão” e “Acorda, Brasil”. O clima de tensão levou ao reforço do esquema de segurança ao redor do presidente, da primeira-dama Janja e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que acompanhava a agenda.
Minas Gerais vive um momento crítico, com dezenas de mortes confirmadas em decorrência dos temporais e milhares de desalojados. Apesar da gravidade da situação, a visita presidencial acabou marcada pelo desgaste político. Enquanto o governo tenta concentrar o discurso na liberação de R$ 11 milhões para assistência humanitária e reconstrução, parte da população aproveitou a presença do presidente para cobrar mais agilidade e questionar a condução federal diante da tragédia.
Nos bastidores, aliados do governo atribuem os protestos à polarização política. Já moradores ouvidos durante a manifestação afirmaram que a revolta é reflexo do sentimento de abandono e da insatisfação com promessas que, segundo eles, demoram a sair do papel.
Mesmo sob vaias e gritos de ordem, Lula reafirmou o compromisso de liberar o Saque Calamidade do FGTS e garantir verbas emergenciais para os desabrigados. O prefeito de Ubá, José Damato, destacou que a ajuda da União é essencial para reconstruir pontes, moradias e vias destruídas pelo transbordamento do Rio Ubá — embora o clima político tenha evidenciado que a crise vai além dos danos provocados pelas chuvas.
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Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução / @folhajf)
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