A Rússia lançou uma nova e devastadora ofensiva contra a capital da Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (2). Uma onda de mísseis balísticos e drones deixou ao menos 20 mortos e 90 feridos, segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko. O ataque, um dos mais intensos dos últimos meses, atingiu diretamente um edifício residencial e provocou grandes incêndios em várias áreas da cidade.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia advertido horas antes, diretamente de Dublin, que o Kremlin preparava uma ofensiva de grandes proporções, o que o fez encurtar sua visita à Irlanda para retornar à Ucrânia. “Putin vem preparando esse ataque massivo contra a Ucrânia há algum tempo”, afirmou Zelensky em coletiva de imprensa, reforçando o pedido para que a população seguisse rigorosamente os alertas antiaéreos.
A força do ataque e a resposta ucraniana
O Exército russo empregou um arsenal expressivo: foram 496 drones e 74 mísseis, incluindo 24 mísseis balísticos — os mais difíceis de interceptar —, segundo dados da Força Aérea ucraniana. Os sistemas de defesa aérea da Ucrânia conseguiram derrubar 476 drones e 48 mísseis, mas apenas quatro dos mísseis balísticos de alta velocidade foram neutralizados.
Correspondentes internacionais no centro e no leste de Kiev registraram mais de uma dezena de explosões e relataram o desespero de moradores correndo em direção às estações de metrô, que funcionam como abrigos subterrâneos. Uma forte explosão foi ouvida no centro da cidade, seguida por uma densa coluna de fumaça. Cerca de 50 minutos depois, uma segunda detonação ocorreu perto do mesmo ponto, lançando estilhaços e destroços ao ar enquanto equipes de socorro já trabalhavam no local.
Danos estruturais e mobilização vizinha
Além do edifício residencial destruído, um centro médico na região de Shevchenkivskyi foi severamente danificado, deixando cinco profissionais de saúde entre os feridos. Equipes de busca e resgate continuam revirando os escombros à procura de sobreviventes.
Diante da gravidade da situação, o Comando Operacional das Forças Armadas da Polônia informou que, devido à intensa atividade da aviação russa de longo alcance perto de suas fronteiras, aeronaves militares polonesas e aliadas foram mobilizadas em caráter de urgência para patrulhar o espaço aéreo do país.
A invasão russa da Ucrânia, que já se estende por mais de quatro anos, acumula um rastro de destruição e mais de dois milhões de baixas militares totais, de acordo com estimativas e estudos geopolíticos recentes.
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