Neste sábado (14), famílias de presos políticos na Venezuela aderiram à greve de fome iniciada na última sexta-feira (13) por seus parentes detidos em uma instalação da polícia em Caracas. O movimento começou poucas horas depois de 17 pessoas terem sido libertadas, entre elas líderes sindicais e dois jovens com transtorno do espectro autista.
Nos arredores do comando da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), conhecido como Zona 7, mais de dez pessoas iniciaram a greve a partir das 6h no horário local (7h em Brasília), com o objetivo de exigir a libertação de todos os presos políticos detidos no local
Pouco antes, o presidente da Assembleia Nacional (AN, Parlamento), o chavista Jorge Rodríguez, informou sobre 17 libertações na Zona 7 como parte, segundo ele, do processo da lei de anistia, ainda em discussão.
A ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos indicou na rede social X que esses 17 faziam parte de um grupo de mais de 50 presos políticos detidos no comando.

Entre os libertados estão José Elías Torres, secretário-geral do principal sindicato dos trabalhadores do país; William Lizardo, líder sindical do setor da construção civil; e os jovens com autismo Gabriel Sánchez e Gilmary Alcalá, bem como a mãe dela, Zulma Lasala.
O comitê informou que, na sexta-feira passada, as pessoas detidas nesta instalação policial “entraram em greve de fome como forma de pressão diante dos anúncios repetidamente descumpridos” por Rodríguez, que em 6 de fevereiro prometeu a libertação de “todos” no mesmo dia em que a lei de anistia fosse aprovada, o que ele estimava que aconteceria “o mais tardar” no dia 13.
No entanto, na última quinta-feira (12), o Parlamento que é controlado pelo chavismo, adiou para a semana que vem o segundo e último debate necessário para a aprovação da lei de anistia para os casos de presos políticos desde 1999, devido a divergências sobre um artigo que exigia que os processados e condenados se apresentassem à Justiça.
O projeto se insere em um novo momento político, anunciado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, no contexto de um processo de libertação de presos iniciado em 8 de janeiro, cinco dias depois que os Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas.
*Com informações da Agência EFE
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