Nas redes sociais, Caio Cesar Solano se apresentava como um "trader espetacular da B3" – sigla que identifica a bolsa de valores brasileira.
No mercado financeiro, trader é o operador da bolsa que, num único dia, compra e vende ações na tentativa de obter lucro rápido com a oscilação do preço.
O que se espera é que essa prática seja feita com recursos próprios. Mas uma investigação da 26ª DP (Todos os Santos), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, mostrou que o investimento de Caio era feito com o dinheiro furtado de aposentados.
Segundo a polícia, assim era o golpe da quadrilha de Caio:
- Uma pessoa telefonava para aposentados se dizendo de uma ONG. Na ligação, dizia que o idoso havia sido sorteado para receber uma cesta básica.
- Dias depois, um casal se apresentava na residência dos idosos para entregar a cesta. Em troca, faziam fotos das vítimas e pegavam dados das pessoas como número de documentos e datas de nascimento.
- A cesta básica era entregue.
- De posse dos dados dos documentos e fotos, o grupo abria uma conta bancária e realizava um empréstimo utilizando os benefícios do INSS da vítima.
- Quando o dinheiro era depositado, a quadrilha abria uma nova conta em nome de um intermediário.
- Esse intermediário depositava o valor na conta de Caio Solano.
- Caio transferia para conta de corretoras e delas investia na B3, a Bolsa de Valores.
A reportagem tentou contato com Caio Solano, mas não tinha conseguido até a última atualização desta reportagem.
Durante 2024, a polícia encontrou 12 casos com a mesma fraude: empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do INSS, relacionados à entrega de cestas básicas.
Na quebra de sigilo bancário das contas de Caio Solano, identificou-se que na movimentação 13 depósitos eram transferências de vítimas do "golpe da cesta básica". A saída de dinheiro da conta era destinada a nove suspeitos de participar com ele dos golpes.
Para a polícia, a prática de investir na bolsa, o dinheiro de estelionato representa uma lavagem de dinheiro.
Ao analisar as contas de Caio, a polícia descobriu que 60,4% dos valores recebidos em sua conta bancária vêm de outras contas utilizadas por cúmplices do golpe e outros 36,4% são de dinheiro recebido dos empréstimos realizados em contas abertas, sem consentimento, em nome dos idosos. A conta possuía saldo de R$ 307,7 mil.
Segundo a polícia, um dos cúmplices chegou a enviar a Caio R$ 90,6 mil.
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Segundo a polícia, enquanto os aposentados ou pensionistas passam a viver com cerca de 30% a menos dos seus vencimentos, Caio utiliza o dinheiro obtido com o golpe da cesta básica para ostentar nas redes sociais: são fotos de passeios de lanchas ou de helicóptero.
Além disso, ele abriu uma franquia de uma loja de colchões em Irajá, na Zona Norte, e uma de empada em Bangu, na Zona Oeste da cidade. Além de investir na Bolsa de Valores.
Após a operação da polícia, o investidor bloqueou as redes sociais. Antes da polícia realizar a busca e apreensão na casa de Caio, ele foi chamado a depor na delegacia duas vezes e não compareceu. Suspeito de chefiar o grupo criminoso, Caio responde às acusações em liberdade.
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Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Divulgação