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Domingo, 28 de Junho 2026
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Tensão nas falhas de San Andreas e San Jacinto está no maior nível em mil anos, diz estudo

Modelo indica que o Cajon Pass, ponto onde os dois sistemas de falhas se aproximam, poderia favorecer um terremoto conjunto, com impacto em uma área maior. Pesquisadora que liderou o trabalho afirma que o resultado não prevê data e que a mensagem central é a necessidade de preparação.

Tensão nas falhas de San Andreas e San Jacinto está no maior nível em mil anos, diz estudo
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A tensão acumulada ao longo das falhas de San Andreas e San Jacinto, no sul da Califórnia, atingiu — e em alguns pontos ultrapassou — o maior nível dos últimos mil anos.

É isso o que aponta um estudo publicado neste mês na revista científica "Journal of Geophysical Research: Solid Earth", que reconstruiu por computador a história de terremotos da região para estimar quanta energia está represada hoje nessas falhas.

➡️ ENTENDA: A San Andreas é uma das falhas geológicas mais conhecidas e temidas do mundo. Com cerca de 1,3 mil quilômetros de extensão, ela marca o limite entre duas grandes placas tectônicas — a do Pacífico e a da América do Norte — e está por trás de tremores históricos, como o que destruiu boa parte de São Francisco em 1906 (veja INFOGRÁFICO abaixo).

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Há décadas, cientistas e moradores convivem na região com a expectativa do chamado "Big One", o grande terremoto que se espera para o oeste dos Estados Unidos.

A área analisada pelo trabalho está entre as mais povoadas dos Estados Unidos e concentra uma infraestrutura essencial no sul da Califórnia.

Ela inclui Los Angeles, a segunda maior cidade do país, além de cidades como San Bernardino e Riverside, no interior da região metropolitana, e o Vale de Coachella, conhecido por cidades como Palm Springs.

❌ Ainda assim, os autores evitam leituras catastróficas e ressaltam que o trabalho não é uma previsão e NÃO aponta data para um grande terremoto.

“Isso não significa que as falhas precisam se romper imediatamente ou em breve, e não nos dá uma data, um ano ou uma contagem regressiva para o próximo terremoto”, afirmou ao g1 a geofísica Liliane Burkhard, da Universidade de Berna, na Suíça, que liderou o estudo.

Para chegar a essas conclusões, Burkhard e seus colegas criaram um modelo para simular como a tensão se acumula e é liberada nas falhas ao longo do tempo.

 O programa reuniu cerca de mil anos de registros sísmicos, reconstruídos a partir de evidências geológicas, como sedimentos deslocados e anéis de crescimento de árvores.

Os resultados, contudo, são estimativas do modelo, e não medições diretas feitas no interior da Terra. Os cálculos dependem de fatores como a velocidade de deslocamento das falhas, a profundidade em que permanecem travadas e as características das rochas.

Burkhard explica que, embora as placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte se desloquem alguns centímetros por ano, esse movimento não ocorre de maneira uniforme. Em alguns trechos, o atrito mantém as rochas travadas e impede o deslizamento das placas.

Com isso, a deformação aumenta pouco a pouco nessas áreas. Aí quando a resistência das rochas é superada, o trecho bloqueado se rompe e libera parte da energia acumulada na forma de um terremoto.

No sul da falha de San Andreas, o último grande rompimento, por exemplo, ocorreu em 1857, no terremoto de Fort Tejon, de magnitude 7,9.

Desde então, esse trecho não registra um evento de porte semelhante capaz de liberar uma parcela significativa da tensão acumulada.

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