O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira (4) que o Brasil pode discutir a inclusão da exploração de minerais críticos e terras raras nas negociações com os Estados Unidos sobre o tarifaço imposto pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros.
"Em se tratando da maior economia do mundo, o Brasil pode participar mais do comércio bilateral e, sobretudo, de investimentos estratégicos. Nós temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Nós podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes, na área tecnológica", afirmou o ministro.Haddad também citou o setor de data centers como um segmento que pode ser explorado em conjunto pelos dois países pois o Brasil detém grande oferta de energia para o funcionamento dos centros de processamento e armanezamenteo de dados. O ministro deu as declarações em entrevista à BandNewsTV.
O interesse norte-americano
Em meio ao impasse das tarifas impostas por Trump, o governo foi informado de que os Estados Unidos querem acesso aos minerais estratégicos.
O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar disse a representantes do Instituto Brasileiro de Mineração que os EUA estão interessados em realizar acordos com o Brasil para a aquisição de minerais considerados estratégicos.
Após o interesse norte-americano ter sido tornado públicao, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a intenção dos Estados Unidos nos minerais estratégicos brasileiros, como o lítio e o nióbio. Lula afirmou que “aqui ninguém põe a mão” e defendeu a soberania do Brasil sobre suas riquezas naturais.
“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, disse o presidente, em referência ao governo americano.
O que são terras raras?
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados em abundância em vários países. Eles são utilizados na fabricaçãoe de smartphones e televisores a câmeras digitais e LEDs. Apesar de usados em pequenas quantidades, eles são insubstituíveis.
A maior parte desses minerais está concentrada em dois pontos: na China e no Brasil. Eles são imprescindíveis para a indústria. Agora, a reserva brasileira é alvo do imbróglio com Trump.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Isso representa 25% do território existente.
O uso mais importante dessas substâncias está na fabricação de ímãs permanentes. Potentes e duráveis, esses ímãs mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Com eles, é possível produzir peças menores e mais leves, algo essencial por exemplo, para tecnologias, turbinas eólicas e veículos elétricos.
Esses elementos também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Justamente por essa relevância estratégica, o valor comercial é elevado.
O quilo de neodímio e praseodímio — os mais usados na produção de ímãs — custa cerca de 55 euros (R$ 353). Já o de térbio pode ultrapassar 850 euros (R$ 5.460). Para comparação, o minério de ferro custa cerca de R$ 0,60 o quilo.
Praticamente todas as grandes inovações da atualidade dependem de minerais críticos. É justamente por isso que as maiores potências do mundo têm se movido para garantir acesso.
Fonte/Créditos: G1
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