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Quarta-feira, 29 de Abril 2026
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Sob sombra da guerra, Irã acelera execuções e usa pena de morte para silenciar oposição

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Sob sombra da guerra, Irã acelera execuções e usa pena de morte para silenciar oposição
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As execuções no Irã têm crescido de forma preocupante desde o início do conflito entre Estados Unidos e Israel com a República Islâmica, enquanto o mundo concentra atenção em questões geopolíticas, como o preço do petróleo.

Organizações de direitos humanos denunciam que o regime iraniano estaria aproveitando o contexto internacional para intensificar o uso da pena de morte, mantendo o processo em total opacidade e com forte efeito intimidatório sobre a população. Segundo o The Guardian, relatos e dados mostram que, apenas em 2026, pelo menos 145 pessoas foram executadas de forma confirmada, enquanto mais de 400 casos ainda aguardam verificação, de acordo com o Iran Human Rights.

A grande maioria dessas execuções não aparece nos registros oficiais: o relator especial da ONU apontou que apenas 7% dos casos foram divulgados publicamente. O quadro se agravou após as manifestações massivas de janeiro, com dezenas de milhares de detidos, dos quais várias dezenas podem enfrentar a pena capital, conforme alerta da Amnistia Internacional.

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O acesso à informação também foi restringido: cortes de internet e advertências às famílias dificultam o acompanhamento das execuções e dos processos judiciais. Entre os casos documentados, o de Peyvand Naimi, detido após os protestos, chama atenção: mantido em isolamento por mais de um mês, sofreu simulações de execução, tortura física e psicológica e foi forçado a confessar em televisão, sem acesso a advogado ou acusações formais.

Em março, três homens foram enforcados publicamente sob acusação de participação nos protestos. Saleh Mohammadi, de 19 anos, foi condenado por “moharebeh” — termo que significa “guerra contra Deus” segundo a lei iraniana — junto a Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi. No dia seguinte, Kourosh Keyvani, cidadão sueco-iraniano, foi executado após ser acusado de espionagem para Israel.

Outro caso chocante ocorreu em Isfahán, quando Shervin Bagherian Jabali, de apenas 18 anos, perguntou durante interrogatório o significado de moharebeh. A resposta do agente foi direta: “Execução”. O jovem passou por três simulações de execução, segundo seu amigo.

Recentemente, Mohammad Taghavi (59) e Akbar Daneshvarkar (60) também foram executados por baghi — rebelião armada contra o Estado. Amnistia Internacional denunciou que seus julgamentos, ocorridos em outubro de 2024, foram profundamente injustos, baseados em confissões obtidas sob tortura.

Na prisão de Ghezel Hesar, perto de Teerã, Babak Alipour e Pouya Ghobadi, ligados ao grupo opositor exilado Muyahidines do Povo do Irã, foram executados após meses de interrogatório e tortura, conforme informou o Conselho Nacional de Resistência do Irã.

Segundo Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor do Iran Human Rights, o conflito internacional oferece ao regime um “margem inédita” para ampliar a repressão: “Todos pensam no preço do petróleo. O custo político dessas execuções é muito baixo.”

Para Mansoureh Mills, pesquisadora da Amnistia Internacional, desde os protestos de 2022 pelo movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, a pena de morte é usada como ferramenta deliberada de intimidação e repressão da dissidência.

O caso de Danial Niazi, da minoria curda, ilustra o padrão. Acusado de moharebeh, tentativa de homicídio, lesões e propaganda antigovernamental, foi informado que seu julgamento ocorreria em apenas dez dias. Ele sofreu severas agressões e dependia de outros presos para se locomover. Familiares foram ameaçados e torturados, segundo denúncia do Kurdpa, organização curda.

A superlotação prisional e a falta de recursos básicos, como comida, água e remédios, se agravaram durante a guerra com EUA e Israel. Em 3 de março, forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo contra detentos de Mahabad, enquanto prisioneiros de Evin, incluindo ativistas e dissidentes, foram transferidos para locais desconhecidos, sem informações às famílias.

Em 2025, o relator especial da ONU documentou 1.639 execuções, contra 975 em 2024, embora organizações civis estimem mais de 2.000 mortes. A maioria das sentenças não é divulgada oficialmente e, muitas vezes, só os presos e suas famílias são informados.

Em 23 de março, o primeiro vice-chefe do sistema judicial iraniano afirmou que os casos ligados aos protestos de janeiro já receberam sentença firme e estavam sendo executados, sem possibilidade de clemência, segundo o The Guardian.

Como destacou uma familiar de Naimi: “A única forma de ajudar era ser a voz dele e mostrar ao mundo o que acontece. Quando alguém age na escuridão, sente-se seguro, mas quando há foco sobre eles, se assustam.”

Fonte/Créditos: GAZETA BRASIL

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