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Segunda-feira, 04 de Maio 2026
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Secretário sobre vídeo de estupr0 de crianças: “Não consegui ver”

Agressores gravaram a violência e compartilharam nas redes

Secretário sobre vídeo de estupr0 de crianças: “Não consegui ver”
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O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, disse neste domingo (3) que em mais de quatro décadas atuando nas forças de segurança do estado, não tinha se deparado com algo tão terrível quanto o caso do estupro coletivo de duas crianças. Os agressores filmaram as violências e divulgaram os vídeos em redes sociais.

– Em 45 anos de polícia, não consegui ver o vídeo até o fim, cena terrível, inesquecível, vai ficar no meu subconsciente por muito tempo – declarou.

De acordo com o secretário, um adolescente envolvido ainda não foi localizado pela polícia.

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– Tem uma pessoa foragida ainda, que é o Christian (adolescente agressor). Mas temos equipes negociando com a família nesse momento para ele se entregar, que é melhor pra ele.

Três adolescentes foram apreendidos. No final da tarde de sábado (2), o único adulto envolvido foi encontrado após fugir para a Bahia. Eles vão responder pelos crimes de estupro de vulnerável, divulgação de imagem de menor, corrupção de menores.

Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pela investigação, o caso primeiro repercutiu nas redes sociais, mas a ocorrência não tinha sido apresentada na delegacia.

– Assim que tomamos conhecimento, os investigadores saíram a campo, conseguiram localizar as vítimas, porque as vítimas estavam sendo pressionadas para não registrassem o boletim de ocorrência na delegacia. Embora na internet estivesse sendo divulgado os vídeos, a família não havia registrado o boletim.

Janaína afirma que a irmã de uma das vítimas, que não mora mais na comunidade, recebeu os vídeos, reconheceu e levou o caso à delegacia. Mas ela não tinha informações sobre onde e quando os crimes ocorreram.

As famílias foram pressionadas para não acionar a polícia.

– A família foi pressionada pela comunidade. Eles queriam resolver entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento – disse.

A investigação aponta que os agressores conviviam com as vítimas e se aproveitaram dessa relação para cometer os crimes.

ENTENDA O CASO
O caso ocorreu em 21 de abril na comunidade de União de Vila Nova, bairro na Subprefeitura de São Miguel Paulista, na zona leste da capital.

– A família, por receio, não teve coragem de denunciar. O conselho tutelar e a polícia só tomaram conhecimento em 24 de abril – afirma o subprefeito Divaldo Rosa, em vídeo publicado nas redes sociais. Ele só se pronunciou sobre o caso na última quinta-feira (30).

Os agressores gravaram o estupro de vulneráveis e compartilharam as imagens em uma rede social. Em um dos vídeos, de 63 segundos, as crianças choram, gritam e falam ao menos nove vezes “para” e cinco vezes “eu não quero”. Enquanto isso, os violadores riem, insistem no ato e agridem as vítimas.

À reportagem, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) definiu o caso como “terrível”.

– As crianças foram acolhidas pelos equipamentos da Prefeitura. Uma está com a mãe em uma Vila Reencontro. A outra está com os dois irmãos no Serviço Institucional para Criança e Adolescente, porque o Conselho Tutelar verificou que não havia condições de continuarem com a mãe, que é dependente química, onde viviam – comentou.

As vítimas estão sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar de São Miguel Paulista, por assistentes sociais e profissionais de saúde e pelo Projeto Bem-Me-Quer, programa de acolhimento do governo estadual a vítimas de violência sexual.

– Este caso é revoltante, ele choca e ele não pode ser tratado como algo normal. Os abusadores agem na maioria das vezes na sombra do medo, da omissão e da falta de denúncia aos órgãos públicos – afirmou o subprefeito Divaldo Rosa.

– Se você souber de algum caso de abuso contra a criança, faça uma denúncia anônima pelo disque 100. Você pode estar salvando uma vida. Proteger as crianças é dever de todos nós.

*AE

Créditos (Imagem de capa): Secretário Nico Gonçalves Foto: Reprodução/Vídeo redes sociais

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