Uma reportagem do jornalista investigativo David Agape, publicada no portal A Investigação, trouxe novos e detalhados elementos sobre a influenciadora Martha Graeff, apontada como peça central nas apurações envolvendo o colapso do Banco Master.
De acordo com o texto, Martha — que estava oficialmente “desaparecida” havia 43 dias após faltar a convocações da CPMI do INSS e da CPI do Crime Organizado — foi localizada no dia 26 de março em Miami Beach. Ela foi vista almoçando no restaurante Call Me Gaby, acompanhada do pai, Tomas Graeff, e da madrasta, em um ambiente público e movimentado, um dia após ignorar sua segunda convocação no Senado.
Segundo a reportagem, Martha chegou ao local dirigindo uma Land Rover 2023 preta, avaliada em mais de US$ 100 mil. O veículo está registrado em seu nome no Departamento de Veículos da Flórida, mas anteriormente pertencia à empresa Rony Seikaly Productions LLC, ligada ao ex-marido da influenciadora, o ex-jogador da NBA Rony Seikaly. A transferência teria ocorrido por decisão judicial em processo de dissolução de união, cujos termos seguem sob sigilo.


O endereço vinculado ao veículo leva à cobertura localizada no 9111 Collins Ave, em Surfside — no Four Seasons Surf Club, um dos empreendimentos mais exclusivos da região. O imóvel, onde Martha teria residido entre outubro de 2024 e fevereiro de 2026, possui cerca de 677 m² distribuídos em três andares, com cinco quartos, nove banheiros, piscina privativa, academia, spa e acesso direto à praia. Unidades no mesmo complexo já foram negociadas por até US$ 50 milhões.
A reportagem aponta que o aluguel da cobertura foi feito por meio da empresa Ocean View Capital Management, que não possui registro corporativo identificável nos Estados Unidos. O pagamento teria sido realizado de forma antecipada, em uma única operação, seguindo um padrão semelhante ao de outras estruturas associadas ao empresário Daniel Vorcaro.




O complexo foi projetado por Richard Meier, arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, e incorporou a estrutura histórica do Surf Club de 1930 — clube privativo fundado pelo magnata Harvey Firestone e frequentado por Winston Churchill, Frank Sinatra, Elizabeth Taylor e o Duque de Windsor. O projeto original de Russell T. Pancoast foi tombado como patrimônio histórico. Em março de 2026 — mesmo mês em que Martha deixou o imóvel —, o The Real Deal confirmou que uma penthouse do mesmo edifício encontrou comprador por US$ 50 milhões.
A unidade N-PH4, onde Martha residiu, tem 677 m² distribuídos em três andares integrados — cinco quartos, nove banheiros, piscina privativa de 75 pés no terraço superior, academia própria, spa, sala de yoga, cabana com acesso direto à praia e garagem privativa. Registros do site Realtor apontam que a unidade foi vendida em março de 2024 por US$ 48 milhões, a US$ 6.587 por pé quadrado — um dos valores mais altos já registrados no condado de Miami-Dade.
Mensagens obtidas por investigadores e citadas no texto indicam que Martha manteve diálogos com Vorcaro sobre estratégias jurídicas, patrimoniais e até pessoais. Em uma das conversas, após um episódio envolvendo o ex-marido e a filha do casal, ela sugere a criação de um dossiê. Vorcaro responde mencionando a possibilidade de mobilizar até US$ 50 milhões em advogados e produção de material. Em outro trecho, há menção à intenção de “dar um susto”, além da hipótese de exposição pública como forma de influenciar disputas judiciais.
Outro ponto sensível envolve a criação de um “trust” no exterior. Segundo a reportagem, Martha teria sido incluída como beneficiária de 100% de ativos avaliados em mais de R$ 520 milhões. Em mensagens, ela demonstra surpresa ao descobrir a estrutura, alegando não compreender o volume de recursos. A defesa utiliza esse trecho para sustentar que ela não tinha conhecimento prévio do esquema.
No entanto, o texto aponta contradições: meses antes, Martha já participaria de discussões sobre aquisição de imóveis de luxo com mecanismos de ocultação. Em uma troca de mensagens, ao questionar se a compra geraria exposição, recebeu como resposta que “não vão saber”, seguida da frase “já bolei um jeito” e a menção a um suposto “amigo russo”. A reação registrada foi de riso.
A reportagem também cita a compra de uma mansão avaliada em US$ 85,2 milhões em Miami, por meio de uma empresa registrada em Delaware, apontada como ligada a Vorcaro. Documentos apreendidos indicariam que Martha figuraria como beneficiária de ativos desse tipo dentro da estrutura financeira investigada.
Outro foco das apurações envolve a marca “Happy Aging”, fundada por Martha. Em mensagens, ela associa diretamente o projeto a Vorcaro, agradecendo a ele por “fazer a Happy Aging nascer”. A Polícia Federal investiga se houve aporte financeiro do empresário na empresa e qual seria a origem dos recursos.
Além disso, o texto relata que Martha frequentava o circuito de alto padrão de Miami e já foi fotografada em eventos ao lado de figuras como Ivanka Trump, com quem manteria contato direto, segundo mensagens apreendidas.
Apesar de afirmar publicamente, por meio de sua defesa, que não acumulou patrimônio relevante e que vive de renda construída ao longo de duas décadas de trabalho, os registros reunidos pela reportagem indicam um padrão de vida elevado, com acesso a imóveis de luxo, veículos de alto valor e eventos exclusivos.
Desde o vazamento das mensagens com Vorcaro, no início de março, Martha reduziu drasticamente sua presença nas redes sociais, desativou comentários e removeu referências à própria marca. Ainda assim, seu número de seguidores cresceu significativamente no período.
Procurada pela reportagem, Martha Graeff não respondeu aos contatos até o fechamento do material. O espaço segue aberto para manifestação.
O caso segue sob investigação e envolve suspeitas de desvios bilionários, estruturas offshore e movimentações financeiras complexas, ampliando o debate sobre o grau de envolvimento de pessoas próximas ao empresário Daniel Vorcaro.
Com informações de David Agape, do portal A Investigação
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se