A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, pré-candidata ao Senado pelo Partido Liberal (PL), afirmou nesta sexta-feira (27) que está disposta a abrir mão de “qualquer coisa” para cuidar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu alta hospitalar e passou a cumprir prisão domiciliar.
Bolsonaro deixou o hospital DF Star, em Brasília, após duas semanas internado com broncopneumonia. Ele havia passado mal enquanto estava detido na penitenciária da Papudinha. Diante do quadro de saúde, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu prisão domiciliar por 90 dias para que o tratamento continue em casa.
O ex-presidente retornou ao condomínio Solar de Brasília, onde vive com Michelle. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação pelo STF por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, relacionados aos desdobramentos das eleições de 2022.
Em coletiva em frente à residência, Michelle afirmou que, neste momento, a prioridade é a recuperação do marido.
— Atividade política zero por enquanto. Estou ainda de licença, estou aqui para cuidar dele. A minha prioridade sempre vai ser o meu marido e as minhas filhas. Se eu tiver que renunciar qualquer coisa pela minha família, eu renuncio. Creio que ele não vai tratar de política. Vamos viver um dia de cada vez — declarou.
Michelle disse ainda que tem comemorado “pequenas vitórias” com o retorno de Bolsonaro para casa e destacou que ele precisará seguir uma rotina de fisioterapia e cuidados com a alimentação.
Segundo relatos, a ex-primeira-dama também demonstrou preocupação com os efeitos colaterais de medicamentos usados pelo ex-presidente, que podem provocar sono profundo e dificultar a percepção de episódios de refluxo gástrico durante a noite.
— Não tem nada a ver com a alimentação ele ter broncoaspirado. É justamente porque ele tem esse quadro de refluxo. Ele precisa de um auxílio. Ele não pode ficar em decúbito — explicou.
Michelle afirmou não ver problemas nas restrições impostas por Moraes quanto às visitas, limitadas a familiares, advogados e médicos. Nos bastidores, aliados do ex-presidente avaliam que o período de 90 dias sem contato político pode impactar articulações eleitorais do PL.
De acordo com o médico Brasil Caiado, da equipe do DF Star, Bolsonaro deixou o hospital pouco antes das 10h e seguirá o tratamento em casa, com acompanhamento contínuo.
— A pneumonia tem fases. Não podemos dizer que está curado. Encerrou-se a fase hospitalar. Continua-se o tratamento com fisioterapia respiratória, motora e reabilitação cardiopulmonar em casa. Há previsão de novo controle com tomografia em quatro semanas — afirmou.
O médico destacou que a evolução clínica foi dentro do esperado, com melhora progressiva ao longo da internação.
— A primeira semana foi mais delicada, mas na segunda houve uma evolução satisfatória, tanto do ponto de vista clínico quanto laboratorial e de imagem — completou.
Com informações da Agência Estado
Créditos (Imagem de capa): Sergio Lima/AFP
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