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Terça-feira, 14 de Abril 2026
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Qual é a idade mais triste da vida? Estudo aponta número semelhante em mais de 140 países

Pesquisa revela que a felicidade diminui na meia-idade e volta a crescer após os 50 anos, independentemente da renda ou do país

Qual é a idade mais triste da vida? Estudo aponta número semelhante em mais de 140 países
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A satisfação com a vida segue um padrão previsível em grande parte do mundo. Dados analisados em mais de 140 países indicam que o bem-estar atinge seu ponto mais baixo entre os 47 e 48 anos, fase marcada por pressões acumuladas e maior vulnerabilidade emocional. A conclusão faz parte de um estudo conduzido pelo economista David Blanchflower, professor da Dartmouth College, nos Estados Unidos, com base em indicadores sociais, econômicos e psicológicos.

A pesquisa, avaliou países desenvolvidos e em desenvolvimento e identificou uma curva recorrente de felicidade ao longo da vida. Segundo o levantamento, a queda na satisfação ocorre na meia-idade, período descrito pelo autor como um “caldo tóxico” de fatores que se sobrepõem, entre eles frustrações com expectativas não alcançadas, instabilidade financeira, problemas de saúde e rupturas familiares.

Do ponto de vista psicológico, essa etapa da vida coincide com maior incidência de depressão e instabilidade emocional. Biologicamente, a meia-idade está associada ao aumento crônico do cortisol, hormônio ligado ao estresse, além de mudanças hormonais relevantes. Nos homens, há queda gradual da testosterona. Nas mulheres, flutuações relacionadas à perimenopausa e à menopausa tendem a impactar o equilíbrio emocional.

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O médico neurocirurgião e neurologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Helder Picarelli, disse ao G1,  que esse fenômeno não deve ser interpretado como fracasso individual. “A chamada crise da meia-idade não deve ser vista como uma falha pessoal, mas como um período previsível de maior vulnerabilidade, resultado da convergência de fatores psicológicos, sociais e biológicos. Nessa fase, o humor e a sensação de satisfação tornam-se mais sensíveis”, afirma.

Apesar do cenário desafiador, os dados indicam que o declínio não é permanente. Após o ponto mínimo, o bem-estar tende a se recuperar de forma gradual, avançando até a velhice. Em muitos países, a satisfação com a vida volta a níveis próximos aos observados na juventude a partir dos 60 ou 70 anos.

Segundo Picarelli, essa retomada está relacionada ao amadurecimento emocional e à reorganização das expectativas. Com o tempo, as pessoas tendem a reduzir comparações sociais, aceitar limites e valorizar experiências emocionalmente significativas. “Os resultados foram claros. Mesmo após o controle de múltiplas variáveis, como escolaridade, renda, situação no mercado de trabalho e estado civil, a idade permaneceu como um fator independente e significativo”, destaca.

O estudo também analisou os efeitos iniciais da pandemia de Covid-19. Para o médico psiquiatra Saulo Ciasca, o período aprofundou o desgaste típico da meia-idade. “Nesse período da vida, as pessoas acumulam responsabilidades com filhos, pais idosos, carreira e finanças. Com a Covid-19, somaram-se o medo do desemprego, o luto, o isolamento e a sobrecarga emocional”, explica.

Embora a curva da felicidade em formato de U se repita em diferentes culturas, os pesquisadores alertam que grandes crises econômicas ou sanitárias podem comprometer a recuperação do bem-estar, sobretudo entre indivíduos com menor resiliência emocional.

O Brasil aparece no estudo como exemplo de que o padrão não se restringe a países ricos. Ainda assim, especialistas ressaltam que fatores culturais e formas de organização social podem influenciar a experiência individual. “Essa interpretação pode não se aplicar de forma homogênea a todas as culturas. Em sociedades com organização social distinta ou comunidades mais isoladas, outros fatores podem ser mais determinantes do bem-estar, independentemente da idade cronológica”, afirma Picarelli.

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