Segundo o mais recente levantamento do Mapa Histórico dos Grupos Armados (Geni/Fogo Cruzado), cerca de 4 milhões de pessoas vivem sob o controle ou a influência de organizações criminosas na Região Metropolitana do Rio. Por trás desses grupos estão chefes que disputam territórios em uma guerra permanente. Sob o comando deles, tiroteios espalham o caos, interrompem o trânsito em importantes vias, fecham escolas e unidades de saúde e afetam a rotina de milhares de moradores. Execuções ocorrem em áreas movimentadas, muitas vezes em plena luz do dia, enquanto comunidades inteiras passam a conviver com regras impostas por poderes paralelos que desafiam o Estado. Mas quem são os personagens que comandam essas estruturas criminosas e estão por trás de ações que aterrorizam a população e restringem o direito de ir e vir? Na série 'Os donos do crime', O GLOBO mapeou dez dos principais nomes ligados a facções do tráfico, milícias, à máfia do jogo do bicho e a grupos de matadores de aluguel que atuam no Rio, muitos deles com influência capaz de corromper e infiltrar instituições públicas. Saiba quem são.
Edgar Alves de Andrade, o Doca
Ele é um dos traficantes mais perigosos e influentes do Comando Vermelho. O Doca, ou Urso, tem mais de 300 anotações criminais. A recompensa do Disque Denúncia para informações que o levem à prisão é de 100 mil reais, a mais alta entre os criminosos do Rio.Edgar Alves de Andrade é suspeito de envolvimento em mais de cem homicídios, incluindo execuções e desaparecimentos. Descrito como “liderança máxima” no Complexo da Penha, ele tem poder para comandar invasões de favelas, ordenar execuções de rivais e estabelecer alianças estratégicas dentro do crime organizado.
Doca é apontado como um dos traficantes mais perigosos e influentes do Rio
Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP
Marcinho é apontado pelas autoridades como presidente do conselho permanente do Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país. Há 19 anos em presídios federais, ele já passou mais tempo na prisão do que em liberdade. Apesar do longo período encarcerado, a Polícia Civil do Rio sustenta que ele continua exercendo influência sobre os rumos da organização por meio de intermediários, entre eles advogados e familiares.Segundo os investigadores, Marcinho utiliza esses contatos para transmitir ordens às lideranças que atuam nas ruas e também nos presídios estaduais. Mesmo atrás das grades, ele manteria influência sobre a estrutura hierárquica da facção, participando de decisões sobre quem assume o comando de comunidades e quem perde posições dentro do grupo.
Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão
Peixão é apontado pelas autoridades como um dos principais chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) e líder da facção que domina o chamado Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. Segundo as investigações, ele exerce controle sobre a região por meio da força armada e da imposição de regras. Ele se declara evangélico e acumula denúncias de intolerância religiosa, com relatos de destruição de terreiros e de proibição do uso de roupas brancas em seus domínios.Batizado como Álvaro Malaquias Santa Rosa, Peixão nunca foi preso. Ainda assim, acumula mais de 70 anotações criminais e possui diversos mandados de prisão em aberto. Considerado um dos criminosos mais procurados do estado, ele é apontado pela polícia como responsável por ordenar ações que afetam diretamente a rotina da cidade, incluindo ataques e bloqueios em importantes vias expressas, como a Avenida Brasil e a Linha Vermelha.alace Trindade de Brito, o Lacoste
Lacoste também integra o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que, segundo a polícia, constumar usar tecnologia em suas operações criminosas. Entre as estratégias atribuídas ao grupo estão o emprego de drones para monitorar deslocamentos policiais e até para lançar explosivos em áreas de conflito.Com 89 anotações criminais e nove mandados de prisão em aberto, integra um conselho criado nos moldes do que existe no CV, na tentativa de superar a desvantagem estratégica do TCP pela falta de comunicação centralizada.
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho
O bicheiro Adilsinho se tornou o que a Polícia Federal chama de “um dos mais sanguinários capos” do crime organizado, sendo descrito pelos investigadores como alguém de temperamento explosivo. Ele ganhou notoriedade após promover, em maio de 2021, uma festa no Copacabana Palace avaliada em R$ 4 milhões, com a presença de diversos convidados famosos.Além de integrar a chamada “nova cúpula” do jogo do bicho no Rio, Adilsinho é apontado pela PF como chefe de uma rede de cigarros contrabandeados, com fábricas clandestinas montadas em fundos de quintal.Após anos foragido e investigado por envolvimento em assassinatos, ele foi preso em fevereiro de 2026 durante uma operação considerada cinematográfica.
Rogério Costa de Andrade e Silva, o Rogério Andrade
Conhecido por impor medo só com o olhar, Rogério Andrade tem uma história de vida cercada de casos de vingança e disputas familiares sangrentas. Foi com essa postura que conseguiu dominar ou espalhar o jogo em 58 cidades. A informação consta em relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio (MPRJ).Além dos jogos de azar — que incluem apostas on-line e máquinas caça-níqueis —, Rogério tem duas empresas em seu nome ligadas a embarcações, uma de suas paixões: a Planet Boat e a Rai Holding. A variedade de negócios alcança até o restaurante de culinária portuguesa Gajos D’Ouro. O bicheiro é herdeiro do lendário Castor de Andrade, que morreu de infarto em abril de 1997, e patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel. O presidente da escola é Flávio Santos, que carrega o nome da agremiação como apelido e a imagem do chefe na pele.
Danilo Dias Lima, o Tandera
Mesmo não tendo a força de antes, as milícias seguem dominando diversos territórios do Rio. Entre os principais nomes do grupo paramilitar atualmente estão sucessores de antigos chefes que desapareceram do mapa do crime fluminense. Um deles é Danilo Dias Lima, conhecido como Tandera, um personagem que até hoje é cercado de mistério. Apesar de figurar entre os criminosos mais procurados do Rio de Janeiro, ele simplesmente desapareceu do radar das investigações há anos. Até hoje, não há confirmação oficial sobre seu paradeiro nem se está vivo ou morto.Tandera consolidou seu poder em diversas regiões da Baixada Fluminense. Sua atuação ficou marcada pela extrema violência. Relatórios de investigação apontam práticas brutais usadas para impor controle territorial, eliminar rivais e espalhar medo entre moradores e comerciantes.
Enquanto Tandera liderava uma milícia marcada pela extrema violência na Baixada Fluminense, Sem Alma foi apontado como chefe de um grupo de matadores que operava em diferentes regiões do estado.Ex-cabo da Polícia Militar, ele foi expulso da corporação após ser acusado de participar de uma série de homicídios. Segundo levantamentos, alguns dos assassinatos teriam sido cometidos enquanto ele estava de licença médica, após ser baleado na região da axila durante uma operação policial. Sem Alma está foragido desde 2023, e há anos os investigadores deixaram de receber informações concretas sobre seu paradeiro.
Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha
O traficante Abelha deixou o sistema prisional pela porta da frente, em 2021, mesmo com um mandado de prisão em aberto e sendo considerado pelas autoridades um criminoso de alta periculosidade. A saída sem impedimentos gerou uma grave crise na segurança pública do Rio.O fato é que, desde então, Wilton Carlos Rabello Quintanilha ascendeu ao posto de presidente do conselho máximo do Comando Vermelho (CV) no Rio e, posteriormente, foi destituído da função. Apesar disso, continua apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção, mantendo influência sobre áreas estratégicas da cidade, entre elas o tradicional bairro da Lapa.
BMW é apontado pela polícia como chefe da Equipe Sombra, um grupo especializado em assassinatos a serviço do Comando Vermelho. Além de atuar na linha de frente das ações criminosas com o objetivo de eliminar rivais e expandir o território do grupo, BMW também desempenha o papel de instrutor, treinando traficantes em técnicas de combate utilizadas nos confrontos contra facções adversárias e forças de segurança.Atualmente, segundo a polícia, ele também exerce a função de “administrador financeiro” da Gardênia Azul. Entre suas atribuições estariam o acompanhamento da movimentação financeira do tráfico, a discussão sobre a compra e a qualidade de armamentos e o repasse de informações, vídeos e atualizações sobre operações policiais realizadas na região.
Fonte/Créditos: O Globo
Créditos (Imagem de capa): Foto: Arquivo/Agência Brasil ... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/sociedade/furtos-de-celular-e-golpes-virtuais-rendem-r-186-bilhoes-ao-crime-organizado-aponta-forum-de-seguranca-publica/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela le
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