Nas últimas semanas, o nome da cientista Tatiana Coelho Sampaio virou destaque por causa de um feito revolucionário e marcante na história da medicina: após 30 anos de estudos e pesquisas, a profissional desenvolveu a polilaminina, uma substância capaz de devolver os movimentos para paraplégicos ou tetraplégicos.
Tatiana é bióloga, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 1997 ela estuda a polilaminina, uma rede de proteínas. A substância foi criada a partir da laminina, uma proteína essencial da matriz extracelular.
A polilaminina é 100% criada em laboratório. Para chegar nessa forma, sua matéria prima é extraída da placenta, pois quando um embrião é formado, esse composto está presente em seu desenvolvimento.
Com a polilaminina, Tatiana conseguiu restabelecer a conexão entre neurônios e o restante do corpo, pois a laminina faz com que o axônio, estrutura que é rompida na lesão muscular, cresça. No início deste ano, Tatiana viu três décadas de dedicação se tornarem uma medicação que pode mudar a história da ciência e da medicina no mundo.

Desde que a polilaminina começou a ser aplicada nos estudos preliminares, pelo menos seis dos oito pacientes que haviam perdido o movimento conseguiram voltar a se mexer. Apesar de parecer um número baixo, ele é, na verdade, promissor e esperançoso, pois é a primeira vez que algo do tipo acontece.
Um dos casos que mais se destacam é o de Bruno Freitas, paciente 01 de Tatiana. Em 2018, ele sofreu um grave acidente de carro e perdeu completamente os movimentos do pescoço para baixo. Bruno contou que, ao passar por uma cirurgia após o acidente, aplicaram a polilaminina em sua medula.
Apenas duas semanas depois, Bruno conseguiu mexer o dedão do pé e, aos poucos, foi recuperando por completo todos os seus movimentos. Atualmente, ele anda, malha, corre, leva uma vida completamente normal, sem a necessidade de cadeiras de rodas ou de depender de algo/alguém.
Recentemente, a nutricionista Flávia Bueno recebeu o diagnóstico de tetraplegia após sofrer uma lesão enquanto mergulhava. Hospitalizada no Hospital Albert Einstein, ela recebeu a dose de polilaminina e passou a conseguir mover o braço direito.
O fármaco, agora, está na fase 1 de estudos clínicos, após aprovação da Anvisa. Importante ressaltar que os resultados finais podem levar meses para ficarem prontos. Nesse período, pacientes com lesões na medula e que tomaram a polilaminina serão observados por um determinado período de tempo. A medida serve para comprovar a eficácia do remédio e vendê-la em segurança.
Apesar de ainda não estar pronta para ser comercializada, diversas pessoas estão conseguindo na Justiça o direito de serem “cobaias” da molécula sintética. De acordo com portais como BBC Brasil, esses pacientes estão tendo bons resultados.
De qualquer forma, os bons resultados são considerados “sem precedentes” pela equipe de pesquisadores, que é chefiada por Tatiana.
Fonte/Créditos: Pleno News
Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução/TV Globo
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