A crise política na Turquia ganhou novos contornos neste domingo (24), após policiais da tropa de choque invadirem a sede do Partido Republicano do Povo (CHP), principal legenda de oposição ao presidente Recep Tayyip Erdogan, em Ancara.
A ação ocorreu depois que apoiadores de Özgür Özel, líder destituído da sigla, montaram barricadas para impedir a entrada de forças de segurança e de grupos favoráveis ao retorno do ex-presidente do partido, Kemal Kilicdaroglu.
Confronto e uso de gás lacrimogêneo
Segundo relatos e imagens divulgadas nas redes sociais, a polícia conseguiu romper as barreiras montadas na entrada do prédio utilizando gás lacrimogêneo.
Vídeos mostram nuvens de gás se espalhando pelo interior da sede do CHP enquanto manifestantes gritavam palavras de ordem e atiravam objetos em direção à entrada do edifício.
A operação ocorreu após uma ordem do governador de Ancara para que todos os ocupantes deixassem o local.
Veja o vídeo:
Disputa pelo controle do partido
A tensão teve início após uma decisão judicial anunciada na quinta-feira (21), que destituiu Özgür Özel do comando do CHP sob alegação de irregularidades internas.
Com a decisão, Kemal Kilicdaroglu, ex-presidente da legenda e candidato derrotado por Erdogan nas eleições presidenciais de 2024, foi reintegrado ao cargo.
A medida provocou forte reação entre aliados de Özel, que passaram a ocupar a sede do partido em uma tentativa de impedir a mudança de comando.
Líder opositor prometeu resistir
Pouco antes da invasão policial, Özgür Özel publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que permaneceria no prédio e resistiria à ação das autoridades.
"Agora a polícia está aqui. Eles querem entrar no prédio com spray de pimenta e cassetetes. Querem destruir este prédio. Não vamos sair daqui. Não sei por quanto tempo conseguiremos resistir", declarou.
Além dos confrontos com a polícia, também foram registrados embates entre apoiadores de Özel e grupos favoráveis a Kilicdaroglu.
Oposição sob pressão
O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões políticas no país.
No ano passado, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu — considerado uma das principais lideranças da oposição turca e nome forte para futuras eleições presidenciais — foi detido sob acusações de corrupção no mesmo dia em que foi anunciado como candidato da oposição para a disputa presidencial de 2028.
Críticos do governo afirmam que a crescente pressão sobre figuras opositoras representa um endurecimento do ambiente político na Turquia. Já as autoridades turcas sustentam que as decisões judiciais e ações policiais seguem critérios legais e independentes.
A invasão da sede do CHP amplia a crise interna do principal partido de oposição do país e pode gerar novos desdobramentos políticos nos próximos dias.