A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria de Saúde de Alagoas, apontando o secretário Gustavo Pontes Miranda como chefe de uma organização criminosa responsável pelo manejo irregular de verbas e pela ocultação de patrimônio. Ele já foi afastado do cargo por decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5)
A apuração integra a Operação Estágio 4, que identificou o uso de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para financiar a compra de dois imóveis em nome de Andreia Araújo Cavalcante, apontada como amante do secretário. Segundo informações do portal UOL, a PF relaciona essas aquisições ao suposto esquema criminoso que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em pagamentos investigados.
SUS teria financiado casa de luxo e flat à beira-mar
De acordo com a PF, os valores desviados foram usados para adquirir:
- Uma casa de luxo em Brasília, no Setor de Mansões Park Way, comprada por R$ 1,69 milhão, registrada em nome de Andreia.
- Gustavo assinou uma confissão de dívida, assumindo o pagamento das parcelas.
- A PF também apreendeu um cheque de R$ 200 mil assinado por ele referente ao negócio.
- Um flat à beira-mar em Maceió, avaliado em R$ 797 mil, também no nome de Andreia.
- Ela pagou R$ 210 mil de entrada entre julho e setembro de 2024.
Mensagens interceptadas mostram que Gustavo e Andreia mantinham uma relação extraconjugal com “alto nível de intimidade”, reforçando a suspeita de que os benefícios patrimoniais eram parte do esquema ilícito. A PF aponta que Andreia movimentou R$ 4,99 milhões entre janeiro de 2023 e agosto de 2024 — valor considerado completamente incompatível com seus rendimentos.
Andreia tinha empregos públicos, mas não comparecia ao trabalho
Embora residisse em Brasília, Andreia mantinha dois vínculos públicos em Alagoas: um na Secretaria de Saúde e outro na Assembleia Legislativa. Segundo a PF, ela não trabalhava, apesar de receber cerca de R$ 299 mil no período investigado — valor incapaz de justificar qualquer dos imóveis adquiridos.
A PF ainda identificou depósitos de pessoas e empresas prestadoras de serviços à secretaria para Andreia, reforçando suspeitas de propina ligada a contratos públicos.
Envolvimento da clínica NOT amplia suspeitas
A investigação também alcança a clínica NOT, de Maceió, da qual Gustavo foi sócio até 2023. Para os investigadores, sua saída foi apenas de fachada. Antes de deixar formalmente a sociedade, a clínica concedeu um crédito de R$ 4 milhões a Gustavo; depois disso, ele ainda recebeu R$ 600 mil da empresa.
Outros repasses somaram R$ 2,8 milhões, oriundos do sócio formal e de uma empresa ligada a ele. Apenas um mês após a saída de Gustavo, a clínica passou a integrar um programa vinculado à Secretaria de Saúde e recebeu R$ 6,5 milhões em créditos do SUS entre 2023 e 2024.
Também foram identificadas graves inconsistências nas prestações de contas:
- Em fevereiro de 2024, a clínica declarou mais de 22 mil sessões de fisioterapia em um único mês, apesar de ter apenas seis fisioterapeutas registrados.
- Somente esse serviço rendeu R$ 2,3 milhões em sete meses.
O que dizem os envolvidos
Em nota, Gustavo Pontes Miranda negou qualquer irregularidade e classificou a operação como um “abuso” da PF, argumentando que não existe competência federal para conduzir a investigação.
Já Andreia e seus advogados — também representantes de Reinaldo Fernandes — não responderam aos contatos da imprensa. O governo de Alagoas informou que criou uma comissão especial para acompanhar o caso e colaborar com as investigações.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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