Conversas obtidas pela Polícia Federal revelam que banqueiro mobilizou grupo com policiais e ex-policiais para identificar operador de equipamento em condomínio de luxo
Um episódio inusitado envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro veio à tona após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de processos ligados à Operação Compliance Zero. As mensagens revelam que, em março de 2024, Vorcaro colocou em funcionamento toda uma estrutura policial paralela por causa de um drone que sobrevoava sua residência no condomínio Lagoa do Miguelão, em Nova Lima (MG). O desfecho, porém, foi surpreendente: o equipamento era operado por um vizinho que apenas tentava localizar um cachorro desaparecido.
O grupo “A Turma” e seu papel a serviço do banqueiro
De acordo com a Polícia Federal (PF), o chamado grupo “A Turma” atuava como uma estrutura paralela comandada por Vorcaro. A organização era composta por policiais e ex-policiais que desempenhavam funções como monitoramento de pessoas, levantamento de informações sigilosas e ações direcionadas contra indivíduos considerados adversários pelo banqueiro.
A mensagem que deflagrou a mobilização
No dia 26 de março de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, informando que um drone sobrevoava sua casa no condomínio de luxo. O banqueiro solicitou que alguém fosse até o local para identificar o dono do equipamento.
Mourão respondeu prontamente. Comprometeu-se a enviar integrantes do grupo para localizar e apreender o drone. Em seguida, fez uma pergunta operacional: a equipe deveria usar viatura oficial ou veículo descaracterizado?
As conversas obtidas pela PF indicam que Vorcaro preferia o uso de uma viatura. A razão? A presença de um veículo oficial poderia intimidar o operador do equipamento.
Líder operacional continuou apuração mesmo sob chuva
A tarefa de campo ficou a cargo do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, identificado pela Polícia Federal como líder operacional de “A Turma”. Durante as diligências, ele relatou que a chuva dificultava os trabalhos, mas não interrompeu a apuração para descobrir quem estava por trás do voo do drone.
A descoberta: um produtor musical procurava seu cachorro
Dias após a mobilização, os integrantes da estrutura finalmente identificaram o operador do drone. Era o produtor musical Elias Martins, que utilizava o equipamento com o objetivo singelo de procurar um cachorro perdido. Ele contava com a ajuda de um amigo que residia no próprio condomínio.
Segundo os investigadores, não havia qualquer indício de ameaça concreta. Ainda assim, Vorcaro acionou toda a sua estrutura paralela para localizar e abordar o responsável pelo equipamento. Para a Polícia Federal, o episódio configura mais um exemplo da atuação do grupo em benefício exclusivo dos interesses do banqueiro.
O material faz parte da investigação da Operação Compliance Zero. As conversas tornaram-se públicas após a decisão de Alexandre de Moraes de levantar o sigilo dos processos relacionados ao caso. Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez em março de 2026.
Fonte/Créditos: contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução/Wikipédia
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