A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas ganhou destaque na imprensa internacional nesta quinta-feira (28). O jornal americano The New York Times, por exemplo, destacou a influência política da família Bolsonaro no processo.
Em reportagem sobre o assunto, o veículo disse que a medida foi tomada após “meses de lobby” exercido pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. O jornal também observou que a decisão foi anunciada poucos dias depois do encontro do presidente Donald Trump com dois dos filhos do ex-chefe de Estado brasileiro, uma referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O veículo ainda lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “opôs-se à designação, classificando-a como uma intromissão nos assuntos internos do seu país e argumentando que existem melhores formas de combater o crime organizado, tais como o fortalecimento da polícia, uma melhor coordenação das operações internacionais e a apreensão dos ativos financeiros das quadrilhas”.
Já no Reino Unido, o Financial Times enfatizou o efeito político da decisão para Flávio Bolsonaro. A publicação observou que, embora a discussão sobre a classificação das facções já estivesse em andamento há meses dentro do governo americano, o momento escolhido para o anúncio deve beneficiar o senador.
O jornal britânico foi outro a destacar a resistência demonstrada pelo governo Lula à medida. Segundo a reportagem, autoridades brasileiras argumentavam que PCC e CV não possuem objetivos ideológicos e que a classificação poderia abrir espaço para justificativas de intervenção militar americana em território brasileiro.
Na Europa, a emissora francesa France24 observou que governos de orientação política distinta têm adotado posições divergentes sobre esse tipo de classificação. Enquanto países governados por lideranças de direita tendem a apoiar a medida, administrações mais à esquerda, como a do Brasil, manifestaram resistência.
A designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras passa a valer oficialmente em 5 de junho e poderá ampliar o alcance de sanções econômicas dos Estados Unidos contra pessoas, empresas ou instituições eventualmente ligadas às atividades das facções.
Créditos (Imagem de capa): Imagens de UAPs obtidas por um sensor infravermelho, de uma plataforma militar dos EUA Foto: Departamento de Guerra dos EUA
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