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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
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Notícias / Política

Notas de Moraes sobre contatos com BC possuem inconsistências

Informações erradas e dados divergentes chamam a atenção nos comunicados

Notas de Moraes sobre contatos com BC possuem inconsistências
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As explicações divulgadas nesta terça-feira (23) pelo vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, e pelo Banco Central (BC) nem de longe dissiparam as dúvidas sobre os contatos entre o magistrado e o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, no período em que era analisada a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Ao contrário da tentativa de Moraes, as notas oficiais levantaram novas inconsistências e deixaram lacunas relevantes sem esclarecimento. Entre os pontos que seguem sem resposta estão a ausência de registros dos encontros nas agendas oficiais do Banco Central, divergências sobre datas, contradições quanto ao conteúdo das conversas e até erros factuais nos comunicados do gabinete do ministro.

 As manifestações oficiais surgiram após a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, relatar que Moraes teria procurado Galípolo para tratar da situação do Banco Master, instituição que mantinha contrato milionário com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, somando até R$ 129 milhões.
 

Aliado a isso, o jornal O Estado de São Paulo revelou que Moraes chegou a ligar seis vezes em um mesmo dia para Galípolo para acompanhar o andamento da operação envolvendo o Master e o BRB. Apesar de o Banco Central confirmar oficialmente a realização de reuniões com Moraes, nenhum desses compromissos aparece nas agendas públicas do presidente da autarquia ou dos demais diretores.

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Essa omissão salta aos olhos especialmente por conta do fato de que o BC costuma divulgar encontros de seu presidente com autoridades de outros Poderes, empresários e agentes do mercado, inclusive reuniões de Galípolo com o próprio dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

As primeiras notas divulgadas por Moraes e pelo BC foram sucintas e não informaram datas, locais ou a quantidade de encontros. O ministro afirmou ter tratado “exclusivamente” dos impactos da Lei Global Magnitsky, enquanto o Banco Central mencionou o tema sem usar o mesmo grau de exclusividade na descrição.

A equipe de Moraes, por sinal, divulgou inicialmente duas notas em um intervalo de três minutos, às 9h27 e às 9h30 desta terça. Em ambos os comunicados, o magistrado esclareceu que, em virtude da aplicação da Lei Global Magnitsky, teria participado de reuniões com o BC, Banco do Brasil e outros bancos.

Além disso, o ministro citou “reunião conjunta com os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú”. Na primeira nota, o informe citava que na reunião conjunta estava presente o representante do Bradesco no lugar do Santander, o que foi modificado na segunda versão.

Horas depois, uma nova nota de Moraes buscou detalhar os encontros, mas trouxe erros grosseiros. O texto indicou data incorreta para a aplicação das sanções da Lei Magnitsky: a nota fala no dia 30 de agosto, mas a punição foi anunciada em 30 de julho. Além disso, o comunicado narra de forma equivocada a operação, ao mencionar uma “aquisição do BRB pelo Banco Master”, quando a ação foi a inversa.

Outro ponto sensível envolve a atuação do escritório de Viviane Barci, esposa do membro da Suprema Corte. Moraes afirmou que a banca jamais atuou na operação BRB-Master perante o Banco Central. No entanto, o contrato revelado recentemente previa expressamente a defesa dos interesses do banco e de seu controlador junto à própria autarquia, o que reforça dúvidas sobre o alcance real da atuação do escritório.

Há ainda divergências relevantes sobre a existência de contatos telefônicos. Enquanto Moraes afirma que não houve qualquer ligação entre ele e Galípolo, veículos de imprensa confirmaram com diversas fontes que o magistrado contatou sim o dirigente do BC várias vezes por telefone. Um dos episódios, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo, incluiu seis ligações em um único dia.

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Nota de Moraes, às 9h27:

O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Bradesco e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.

Nota de Moraes às 9h30:

O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.

Nota de Moraes na noite de terça-feira:

O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnistiky. A primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/08; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente a aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central.

Nota do Banco Central:

O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky.​

 
 
 
 
 
 
 

Fonte/Créditos: Pleno News

Créditos (Imagem de capa): Fotos: Gustavo Moreno/STF e Fellipe Sampaio /STF

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