Os ataques aéreos desta semana na Nigéria, apoiados pelos Estados Unidos, impactaram dois acampamentos vinculados ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na floresta de Bauni (noroeste), e atingiram combatentes estrangeiros procedentes do Sahel, informou o governo nigeriano.
– Esses locais estavam sendo utilizados como bases de concentração e preparação por elementos estrangeiros do EI que se infiltravam na Nigéria a partir da região do Sahel, em colaboração com afiliados locais, para planejar e executar ataques terroristas em larga escala em território nigeriano – afirmou o Ministério da Informação.
Segundo a nota, as operações de “ataque de precisão” foram realizadas na sexta-feira entre 0h12 e 1h30 (hora local), “após a aprovação explícita do presidente da República Federal da Nigéria”, Bola Ahmed Tinubu.
Os ataques foram lançados de plataformas marítimas localizadas no Golfo da Guiné, após uma “exaustiva coleta de inteligência, planejamento operacional e reconhecimento”.
– Foram utilizadas no total 16 munições de precisão guiadas por GPS por meio de plataformas aéreas não tripuladas MQ-9 Reaper, neutralizando com sucesso
os elementos do EI que tentavam penetrar na Nigéria pelo corredor do Sahel – detalhou.
Durante a operação, destroços de munições caíram em Jabo, no estado de Sokoto, e em Offa, no estado de Kwara (oeste), perto das instalações de um hotel.
– Não foram registradas vítimas civis em nenhum dos dois locais, e as autoridades competentes isolaram rapidamente as áreas afetadas – explicou o governo da Nigéria, ao reiterar sua “firme determinação de enfrentar, reduzir e eliminar as ameaças terroristas” em colaboração com seus “parceiros estratégicos”.
– Pedimos que a população mantenha a calma e a vigilância enquanto prosseguem as ações decisivas contra todos os grupos terroristas que ameaçam a nação – acrescentou.
O governo e as Forças Armadas da Nigéria já haviam confirmado na sexta-feira que lançaram ataques de forma conjunta com os EUA, após o presidente americano, Donald Trump, anunciar os bombardeios na quinta (25).
MASSACRE DE CRISTÃOS
Trump indicou que seu país lançou um ataque “poderoso e mortal” contra acampamentos do EI no noroeste da Nigéria.
Segundo o Pentágono, a operação envolveu o lançamento de cerca de dez mísseis Tomahawk de um navio da Marinha dos EUA no Golfo da Guiné, causando “múltiplas” vítimas em Sokoto, perto da fronteira com o Níger.
Em sua rede social Truth Social, o mandatário americano acrescentou:
– Anteriormente, adverti a estes terroristas que, se não parassem o massacre de cristãos, o inferno seria desencadeado, e esta noite ele aconteceu.
No mês passado, Trump denunciou, sem apresentar provas, um suposto massacre de cristãos na Nigéria, anunciou a designação do país como “de especial preocupação” (categoria para nações com graves violações da liberdade religiosa) e ameaçou com uma possível intervenção militar.
O governo da Nigéria assegurou, então, que tomava nota dessas declarações, mas afirmou que as acusações “não refletem a realidade no terreno”.
O nordeste da Nigéria sofre com a violência do grupo extremista Boko Haram desde 2009, situação que se agravou em 2016 com o surgimento de sua dissidência, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP).
Ambos buscam impor um Estado de corte islâmico na nação, que tem maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul.
*EFE
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