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Multidão grita "Morte à América" durante funeral de Ali Khamenei no Irã. Veja o vídeo

Cerimônia reúne centenas de milhares de pessoas em Teerã e ocorre em meio à tensão com os Estados Unidos e Israel.

Multidão grita
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Centenas de milhares de pessoas participaram neste sábado (4) do início das cerimônias fúnebres do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em Teerã. Durante o cortejo, a multidão entoou os tradicionais slogans "Morte à América!" e "Morte a Israel!", em meio ao clima de tensão que marca as relações do país com os Estados Unidos e Israel.

Khamenei morreu aos 86 anos, após um ataque aéreo ocorrido em 28 de fevereiro, nos primeiros momentos da guerra envolvendo o Irã. O funeral, que deve se estender por vários dias, foi iniciado justamente em 4 de julho, data em que os Estados Unidos comemoram o aniversário de sua independência.

Durante a cerimônia, milhares de pessoas bateram no peito em sinal de luto diante do caixão coberto pela bandeira iraniana e fizeram pedidos de vingança contra Israel e os EUA.

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Os gritos de "Morte à América!" e "Morte a Israel!" fazem parte da retórica adotada pela República Islâmica desde a Revolução Islâmica de 1979. Ao longo das últimas décadas, os slogans passaram a integrar manifestações oficiais, cerimônias públicas e eventos promovidos pelo regime iraniano, refletindo a postura histórica de oposição aos Estados Unidos e a Israel.

A repetição desses cânticos durante o funeral ocorreu em um momento em que o governo iraniano mantém negociações com potências ocidentais sobre questões de segurança e sanções econômicas. Ao mesmo tempo, a cerimônia foi marcada por demonstrações públicas de apoio aos princípios políticos e ideológicos estabelecidos após a Revolução Islâmica.

Analistas internacionais costumam apontar que eventos dessa natureza também servem para reforçar a continuidade institucional da República Islâmica durante períodos de transição de liderança. Além dos slogans, alguns participantes exibiram cartazes e bandeiras com mensagens contra os Estados Unidos e Israel, reforçando o tom adotado durante o cortejo.

Veja o vídeo:

Funeral também marca transição de liderança

Além das homenagens, a cerimônia é vista como um momento importante para reforçar a estrutura política da República Islâmica e consolidar a liderança do novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.

O governo iraniano organizou uma série de eventos que deverão ocorrer em diferentes cidades nos próximos dias, em uma demonstração de unidade interna diante das pressões internacionais e das negociações em andamento com Washington.

Estreito de Ormuz segue no centro das negociações

Enquanto presta homenagens ao antigo líder, o Irã também busca fortalecer sua posição nas negociações diplomáticas utilizando sua influência sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural transportados no mundo.

Durante o funeral, o principal negociador iraniano, Kazem Gharibabadi, criticou uma declaração conjunta do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e do presidente francês, Emmanuel Macron, segundo a qual militares dos dois países estariam preparados para patrulhar o Estreito de Ormuz.

Em publicação na rede social X, Gharibabadi afirmou que "a segurança de Ormuz reside nos estados costeiros" e advertiu que "os criadores da crise serão responsabilizados pelas consequências de seu aventureirismo", classificando o recado como um "aviso sério" aos países ocidentais.

Trump comenta funeral

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump também comentou o funeral durante um discurso realizado na Dakota do Sul, em frente ao Monte Rushmore.

"Demos uma surra no Irã", declarou o presidente americano, acrescentando que Teerã "quer tanto um acordo" e que Washington teria concedido "uma semana de folga para um funeral".

As declarações repercutiram entre os participantes da cerimônia em Teerã. No complexo Grand Mosalla, alguns manifestantes exibiram uma grande bandeira com a inscrição "#MatemTrump", em mais uma demonstração da hostilidade contra o governo dos Estados Unidos.

Os protestos contra Washington e Israel, somados às críticas dirigidas às potências europeias, reforçam o clima de confronto adotado pelo governo iraniano enquanto busca equilibrar as homenagens ao antigo líder com as negociações diplomáticas para reduzir as tensões na região.

O funeral de Ali Khamenei deverá prosseguir nos próximos dias sob atenção da comunidade internacional, em meio às preocupações de que novos incidentes envolvendo o Estreito de Ormuz ou o território iraniano possam provocar uma nova escalada do conflito.

Com informações do Estadão Conteúdo.

Créditos (Imagem de capa): Funeral de Ali Khamenei em Teerã Majid Asgaripour/Reuters

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