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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
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Mulher é flagrada envenenando água de professora no Recife (PE); veja o vídeo

Exames toxicológicos confirmaram contaminação por mercúrio, um metal nocivo à saúde neurológica

Mulher é flagrada envenenando água de professora no Recife (PE); veja o vídeo
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A artesã denunciou ter sido vítima de envenenamento por uma aluna durante meses enquanto ministrava aulas em um projeto social no Recife. A suspeita surgiu após a mulher perceber algo estranho na água que consumia durante as atividades e notar a presença de pequenas “bolinhas” no líquido. Imagens registradas pela própria vítima mostram a aluna colocando uma substância no recipiente em duas ocasiões.

"No dia 22 de maio do ano passado, fui tomar água e senti a bolinha na minha garganta. Botei o dedo na garganta e botei [a bolinha] na mão. Aí eu botei no copo, que eu também levei para a delegacia", afirmou Denny Cardoso, a vítima.

Antes disso, a artesã conta que já havia desconfiado do comportamento da aluna. "Um dia, eu indo lavar as mãos, avistei ela mexendo na minha garrafa. Achei estranho. Ela disfarçou, como se estivesse tirando a garrafa de um lugar para outro", disse.

Denny Cardoso trabalhou por mais de dez anos em um projeto chamado Arte na Medicina. A iniciativa oferece aulas de artesanato para pacientes e seus parentes em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife.

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Há cerca de três anos, a aluna denunciada, identificada como Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, começou a frequentar as aulas, enquanto acompanhava o filho, que fazia tratamento no hospital.

Procurada, a advogada Ana Maristela Trajano, que representa Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, disse que a cliente tem problemas psiquiátricos e não se lembra de ter colocado a substância na garrafa. "Ela não sabe o que colocou na água, não sabe de quem era a garrafa. A gente tem que aguardar o inquérito ser finalizado", afirmou.

Desde o segundo semestre de 2024, a Denny vinha sentindo sintomas como dores abdominais, músculos enrijecidos e dificuldade para andar e urinar. No início, ela achava que tinha fibromialgia e chegou a ficar um tempo afastada do projeto social.

Depois de ter descoberto as "bolinhas" na água, a artesã decidiu filmar a aluna. Ela passou a deixar o celular com a câmera ligada quando saia da sala. Da primeira vez que ela flagrou a aluna colocando algo na garrafa, procurou a Delegacia da Boa Vista e fez exames no IML (Instituto de Medicina Legal).

"Fui à loja e comprei uma garrafa idêntica, do mesmo modelo. Cheguei lá bebendo água e botei a garrafa em cima da mesa. No momento em que saí, botei a câmera para filmar de novo. Quando vi que ela tinha botado de novo, não toquei mais na garrafa e liguei para o 190", contou a professora.

A artesã disse que, neste dia, a Polícia Militar foi ao hospital e levou as duas mulheres para a Central de Plantões da Capital, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. O boletim de ocorrência registrado no local mostra que a suspeita negou que tivesse envenenado a bebida, mas os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela.

Veja o vídeo:

Laudo identificou mercúrio

Denny Cardoso afirma que um exame toxicológico apontou uma concentração de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue no corpo da vítima. O g1 teve acesso ao laudo da perícia feita na garrafa, que também detectou a presença do metal na água.

Pela quantidade de substância encontrada, o laudo toxicológico estipulou que a vítima ingeriu mercúrio ao longo de um período que pode ter sido de oito meses a um ano. "Ela botava um pingo, era uma gota. E eu bebia muita água assim com tudo. Infelizmente, não tem gosto", falou a professora.

A artesã contou que até hoje sente dores no abdômen, tem movimentos reduzidos, uma compressão na medula e uma neuropatia. Ela faz uma série de tratamentos médicos e fisioterapia.

Segundo ela, a polícia pediu um parecer de um neurocirurgião para atestar que a paciente teve complicações neurológicas por causa do mercúrio. Mas, até a publicação desta reportagem, a artesã ainda tinha conseguido marcar uma consulta com um especialista no Sistema Único de Saúde (SUS).

No dia 9 de junho, a artesã ajuizou uma ação na Vara da Fazenda Pública de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, para obrigar o estado a garantir o atendimento com urgência, mas, até o momento, nenhuma decisão sobre o pedido foi publicada. O caso está sob responsabilidade do juiz Rômulo Macedo Bastos.

 Após a divulgação do caso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) agendou a consulta. Denny foi informada do agendamento às 11h42 da segunda-feira (13) e, pouco depois do meio-dia, a pasta respondeu ao g1 que "a paciente já foi informada sobre a data, o horário e o local da consulta".

Mercúrio encontrado em garrafa de artesã intoxicada por mulher no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Mercúrio encontrado em garrafa de artesã intoxicada por mulher no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Fonte/Créditos: G1

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