Anunciado pelo governo Lula como uma iniciativa para facilitar a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, o programa Move Brasil começou cercado por promessas de ampliar o acesso ao crédito e renovar a frota desses profissionais. Poucas semanas depois, porém, a percepção entre grande parte do público que esperava ser beneficiado é de frustração.
Nas redes sociais, multiplicam-se relatos de motoristas afirmando que não conseguem aprovação do financiamento, mesmo após procurar concessionárias e bancos participantes. Vídeos publicados por criadores de conteúdo voltados ao setor mostram filas de interessados, reclamações sobre negativas de crédito e críticas de que o programa acabou beneficiando apenas quem já teria condições de obter financiamento pelas linhas tradicionais.
A principal promessa era facilitar o acesso ao crédito para profissionais que dependem do veículo para trabalhar. Na prática, entretanto, a análise continua sendo feita pelos bancos, que mantêm seus critérios de risco. Isso significa que pessoas com score baixo, restrições financeiras ou renda considerada insuficiente continuam encontrando dificuldades para obter a aprovação.
Diante das reclamações, o governo decidiu ampliar o programa para permitir também o financiamento de veículos usados em determinadas modalidades. A medida foi apresentada como forma de aumentar o alcance da iniciativa e reduzir o valor financiado.
Para muitos motoristas, porém, a mudança ataca apenas parte do problema.
“De que adianta poder comprar um carro usado se o financiamento continua sendo negado?”, é uma das perguntas que aparece com frequência em grupos de motoristas de aplicativo e nas redes sociais.
Concessionárias também relataram, nas primeiras semanas do programa, que diversas propostas ficaram paradas aguardando processamento e integração entre instituições financeiras e o BNDES, o que contribuiu para aumentar a insatisfação dos interessados.
Até o momento, o governo não apresentou um balanço detalhado informando quantos motoristas efetivamente conseguiram contratar financiamentos pelo Move Brasil em comparação com o número total de interessados. Sem esses dados, torna-se difícil medir o alcance real da iniciativa.
Enquanto isso, a percepção de muitos profissionais é que o programa continua distante da expectativa criada durante seu lançamento. A inclusão de veículos usados pode ampliar as opções disponíveis, mas, para quem continua sem conseguir aprovação do crédito, a mudança ainda não resolve o principal obstáculo.
Créditos (Imagem de capa): Foto: Rebecca Maria/Agência O Globo
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