Os presidentes das quatro maiores montadoras do Brasil enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertando que podem demitir até 15 mil trabalhadores caso o governo leve adiante um plano de incentivo à importação de veículos desmontados, com peças 100% fabricadas no exterior.
A medida, sob coordenação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, deve beneficiar especialmente montadoras chinesas que operam no modelo SKD (Semi Knocked Down), com baixa geração de empregos e pouca contratação de fornecedores brasileiros.
Segundo o documento, a iniciativa pode levar ao corte de pelo menos R$ 60 bilhões dos R$ 180 bilhões anunciados em investimentos no setor automotivo, afetando a produção de veículos e o parque de autopeças nacional.
As montadoras afirmam que o impacto vai além da própria indústria. A demissão de 5 mil trabalhadores diretos pode gerar a perda de até 50 mil empregos na cadeia de fornecedores, segundo o setor.
– Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra – diz a carta.
As empresas pedem que o governo preserve a política de valorização da produção nacional e não conceda vantagens à importação de veículos montados fora do país. Enviada em 15 de junho, a carta ainda não foi respondida.
Nesta segunda-feira (29), a Abipeças e o Sindipeças também se manifestaram contra a redução de tarifas para veículos SKD e CKD. Em carta ao governo, disseram que a proposta gera “concorrência inusitada” e “renúncia fiscal injustificada”.
Créditos (Imagem de capa): Foto: Ricardo Stuckert / PR