Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) passaram a defender, nos bastidores, o afastamento do colega Marco Buzzi após o magistrado ser alvo de uma grave acusação de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos.
Na avaliação desses ministros, a denúncia veio à tona em um momento ruim, no qual o Judiciário brasileiro enfrenta duras críticas da sociedade. “O momento não poderia ser pior”, disse um magistrado do STJ à coluna, sob reserva.
Para integrantes da Corte, a denúncia feita pela família da vítima parece ser séria. “Não parece razoável que a advogada e a filha iriam colocar a vida e a carreira em jogo se a coisa não fosse séria”, diz um ministro.
Nesse cenário, membros do STJ avaliam nos bastidores que o ideal seria o próprio ministro acusado de assédio sexual pedir licença da Corte enquanto o caso estiver sendo investigado pelas autoridades competentes.
A denúncia contra o ministro do STJ
Conforme noticiou o Metrópoles na coluna Grande Angular, Marco Buzzi foi acusado de assédio contra a filha de um casal de amigos que passou as férias de janeiro na casa do magistrado em Balneário Camboriú (SC).
Segundo os relatos da vítima, no último dia 9 de janeiro, Buzzi teria tentado agarrá-la três vezes durante um banho de mar na praa. O ministro STJ, de acordo com a jovem, estaria visivelmente excitado.
A moça teria conseguido se desvencilhar, correu para a praia e contou aos pais o ocorrido. Estupefato, o casal de amigos deixou o local e seguiu para São Paulo, onde registrou boletim de ocorrência em uma delegacia.
O casal foi encaminhado para denunciar o fato ao STF, uma vez que Buzzi, na condição de ministro do STJ, tem foro privilegiado. Na terça-feira (3/2), os denunciantes estiveram com o juiz auxiliar da presidência do Supremo.
Ministro repudia “ilação”
Em nota, o ministro disse que “foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos” e que “repudia” “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por sua vez, informou, também em nota, que “o caso está tramitando no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça, em sigilo, como determina a legislação brasileira”.
“Tal medida é necessária para preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização. A Corregedoria colheu nesta manhã depoimentos no âmbito do processo”, informou o CNJ.
Buzzi tomou posse no STJ em 2011, indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT). O magistrado completa 68 anos de idade nesta quarta-feira (4/2). A vaga dele é oriunda da cota destinada a desembargadores estaduais.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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