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Sexta-feira, 01 de Maio 2026
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Messias diz a Lula que deixará AGU após ter indicação ao STF rejeitada no Senado

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Messias diz a Lula que deixará AGU após ter indicação ao STF rejeitada no Senado
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O ministro Jorge Messias avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o comando da Advocacia-Geral da União (AGU) após o Senado rejeitar sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). A conversa ocorreu no Palácio da Alvorada poucas horas depois da derrota histórica do governo no plenário da Casa, com 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis à sua nomeação para a Corte.

Segundo fontes que acompanharam o diálogo, Messias disse a Lula que não terá condições de lidar diretamente com integrantes do Congresso e do Supremo que trabalharam ativamente contra sua nomeação. É função inerente ao advogado-geral da União despachar frequentemente com ministros do STF e manter interlocução com senadores, além de deputados e outras autoridades da República.

Em bom português, Messias quis dizer ao presidente que não quer ver mais essas pessoas nem se estiverem pintadas de ouro.

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Segundo relatos feitos sob reserva, Lula pediu a Messias que pensasse melhor sobre a ideia de deixar a AGU durante o feriado e o final de semana. Mas aliados próximos dizem que o ministro segue resoluto.

Desde o início da manhã da última quinta-feira circula em Brasília o rumor de que Messias poderia substituir o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, que até agora não teria dito a que veio.

A ideia também chegou a ser apresentada a Messias. Mas, questionado por interlocutores ao longo do dia, o ministro da AGU negou ter sido sondado . Homem de confiança de Lula, Messias integra o governo desde a posse do petista.

Mágoas e traições

A lista de desafetos de Messias e as traições que o Palácio do Planalto tenta mapear são extensas. Mas as principais mágoas são com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, seu ex-colega de Esplanada no governo Lula.

Como mostramos no blog, além de Alcolumbre, principal operador da derrocada de Jorge Messias e do presidente da República, Moraes articulou ativamente contra o advogado-geral da União, temendo que sua ida para o Supremo empoderasse demais o relator do inquérito do Banco Master, André Mendonça, que fez forte campanha pela candidatura de Messias.

Moraes acionou emissários para mandar recados a senadores que tinham processos no STF ou alguma ligação com seus aliados no Congresso para que votassem “não”.

Já Dino e Messias têm péssima relação desde que os dois disputaram a preferência de Lula na indicação para a vaga de Rosa Weber. O então ministro da Justiça e ex-governador do Maranhão venceu a briga e acabou nomeado para a Corte, mas nunca perdoou o empenho do AGU pela cadeira.

Articulação de Moraes

Embora tenha sido um dos principais alvos do bolsonarismo na sabatina de Messias, Alexandre de Moraes trabalhou contra o AGU para enfraquecer Mendonça. Caberá ao colega de plenário a homologação da delação premiada do dono do Master, Daniel Vorcaro.

A colaboração pode trazer implicações para o próprio Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, que fechou um contrato com o Master que previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos, como revelamos no blog em dezembro.

Além disso, o ministro até hoje não aceitou a decisão do presidente Lula de preterir o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) em favor do chefe da AGU, que ele tentou emplacar junto com Alcolumbre.

A atuação de Moraes também impôs a Lula uma amarga derrota, já que o Senado não enterrava uma indicação para o STF desde 1894 – o que torna o petista o único presidente a passar por tal humilhação além do marechal Floriano Peixoto.

Em entrevista ao portal ICL no início do mês, Lula revelou ter aconselhado o ministro a se declarar suspeito no julgamento do caso Master para que o escândalo de Vorcaro não “enterrasse sua biografia”.

O presidente disse ainda que Moraes “obviamente sabe” que o caso Master prejudica a imagem do STF e que é preciso dar “uma explicação convincente para a sociedade”, e não “jogar debaixo do tapete achando que o povo vai esquecer”.

Fonte/Créditos: O Globo

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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