O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, viajou à Noruega e à Finlândia em janeiro de 2025 para ver a aurora boreal com sua família, com todas as despesas pagas pela lobista Roberta Luchsinger.
A viagem de luxo pela Escandinávia custou cerca de R$ 300 mil para cada família, segundo apurou a coluna. Fábio Luís Lula da Silva é filho do presidente Lula (PT).
Roberta Luchsinger pagava despesas pessoais de Lulinha e de sua família. Ela era financiada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A viagem para a Escandinávia foi organizada pela influenciadora de turismo de luxo Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda de Lula, Guido Mantega.
Nas redes sociais, Marina Mantega se apresenta como “luxury travel specialist”. Fontes do setor narraram à coluna que Marina só atende clientes de altíssimo poder aquisitivo. Seu trabalho é providenciar experiências exclusivas — que incluem hotéis, reservas de passeios, veículos de luxo e voos.
Lulinha e sua família chegaram à Europa em um voo da Swiss Airlines. Comprando neste sábado (21), um voo de primeira classe da companhia, de São Paulo para Estocolmo, em janeiro de 2027, custa cerca de R$ 60 mil, ida e volta. Os voos internos do grupo foram feitos pela companhia aérea local Scanwings.
O ponto alto da viagem à Finlândia foi uma estadia em um hotel de luxo exclusivo na Lapônia, com diárias de até R$ 37 mil por pessoa.
O Octola é um hotel de ultra luxo em Rovaniemi, na Finlândia. A propriedade está isolada em uma área de 740 acres (3 km quadrados), em meio à floresta de taiga, também conhecida como floresta boreal.
O hotel é de uso exclusivo — o que significa que cada grupo de visitantes ocupa o local de uma vez, sem dividir com outros hóspedes. É considerado o ápice do luxo em uma experiência off-grid na Finlândia.
O preço é condizente com a exclusividade: os valores começam em 11.500 euros por semana por pessoa e chegam a até 42 mil euros na alta temporada, entre dezembro e janeiro. No câmbio de janeiro de 2025, isso significa diárias entre R$ 10,1 mil e R$ 37 mil, por pessoa.
Para se hospedar no Octola, é preciso se inscrever em uma fila de espera e, mesmo assim, não há garantia de que o hotel aceitará o pedido: a casa se orgulha de fazer uma cuidadosa “curadoria de clientes”. “O destino off-grid definitivo, reservado para poucos seletos”, diz o slogan do Octola.
“Na fronteira do infinito, no coração da Lapônia finlandesa. Um refúgio onde a simplicidade encontra a exclusividade. Experimente a serenidade em isolamento profundo, cercado apenas por natureza intocada e pelo ar mais puro que se pode imaginar”, diz o site.
O local oferece amenidades como chef privativo para preparar as refeições, sauna e spa privativos e mais de 35 atividades de lazer, incluindo passeios pela taiga, cavalgadas e observação da aurora boreal.

A turnê escandinava foi documentada por Roberta Luchsinger e por sua filha em postagens no Instagram.
Ao longo da viagem, Marina Mantega é mencionada várias vezes nas postagens de Roberta Luchsinger e de sua filha. “Viagem MARAVILHOSA ❤️😘🥰. Aproveitem muitoooooo”, comentou Marina em uma postagem de Roberta, do dia 10 de janeiro de 2025.
A coluna procurou Marina Mantega, mas ela disse que não pode informar os nomes de seus clientes. Nos últimos dias, a defesa de Lulinha tem dito que ele não chegou a trabalhar para o Careca do INSS.
Os defensores do filho do presidente admitem que ele viajou com Antônio Carlos Camilo Antunes para Portugal para conhecer uma empresa de canabidiol medicinal dele, mas o negócio não teria ido adiante. A viagem para Portugal foi revelada pela coluna.
Pelas postagens em redes sociais, a viagem do grupo começou por volta do dia 10 de janeiro de 2025, em Estocolmo. A hospedagem foi no Hotel Diplomat, um dos principais da capital sueca.
A última postagem em Rovaniemi, onde fica o Octola, foi em 15 de janeiro. De lá, Roberta Luchsinger e sua família foram para Zurique, na Suíça, e depois seguiram para uma estação de esqui na comuna de Crans-Montana, no cantão de Valais, na Suíça.
Como mostrou o Metrópoles na coluna de Tácio Lorran, Roberta Luchsinger trabalhou com o empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Segundo a própria defesa de Lulinha, foi ela quem o apresentou ao Careca do INSS, descrevendo-o como um empresário do setor farmacêutico.
Lulinha é suspeito de receber uma mesada de R$ 300 mil do Careca, paga por intermédio de Roberta. Os pagamentos foram mencionados por um ex-funcionário do Careca, que colabora com a Polícia Federal na condição de testemunha.
A proximidade entre Lulinha e Roberta Luchsinger é tamanha que, quando vem a Brasília, o filho do presidente costuma ficar numa casa alugada por Roberta no Lago Sul.
Com base nas quebras de sigilo de Lulinha, do Careca do INSS e de Roberta Luchsinger, a PF apura a possibilidade de o “Careca” ter pago por viagens do filho do presidente Lula.
No mesmo período em que recebeu R$ 1,1 milhão do “Careca”, Roberta pagou R$ 640 mil a uma agência de viagens que emitiu passagens para Lulinha. As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmadas pela coluna.
Atualmente, Roberta Luchsinger está usando tornozeleira eletrônica. As investigações sobre ela são consideradas “avançadas” na Polícia Federal e a situação dela é descrita como “complicadíssima”.
Defesa: Lulinha não tem relação com as fraudes do INSS
Em nota à coluna, a defesa de Lulinha disse que não existe “nenhuma conexão entre Fábio Luís e as fraudes do INSS, o que está sendo demonstrado por meio de nossa ativa colaboração com as autoridades”.
A defesa também disse que não confirmará ou comentará “viagens pessoais e familiares”, nem “qualquer outra divulgação de dados sigilosos de origem criminosa ou que infrinjam a Lei Geral de Proteção de Dados”.
Leia abaixo a íntegra da nota da defesa:
“Não há nenhuma conexão entre Fábio Luís e as fraudes do INSS, o que está sendo demonstrado por meio de nossa ativa colaboração com as autoridades competentes para o esclarecimento de questionamentos relevantes.
Não confirmaremos nem comentaremos viagens pessoais e familiares, nem qualquer outra divulgação de dados sigilosos de origem criminosa ou que infrinjam a Lei Geral de Proteção de Dados. A exposição de informações pessoais e da vida particular de pessoas sem função pública e de seus familiares, inclusive menores de idade, não atende aos objetivos do devido processo legal, que veda devassas pessoais voltadas à exposição midiática ou procedimentos ilegais de pesca probatória”.
Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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