Durante discurso na cerimônia que celebrou os 90 anos do salário-mínimo, realizada nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a mirar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em tom irônico, Lula afirmou que Bolsonaro falava “bobagem”, mas mesmo assim acumulava 30 milhões de seguidores nas redes sociais — comentário interpretado por aliados do ex-presidente como sinal de inveja política diante da força digital do rival.
A fala ocorreu um dia após Bolsonaro ser transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a Papudinha, onde segue cumprindo pena de 27 anos e três meses imposta pelo Supremo Tribunal Federal no processo do suposto golpe de Estado.
Comparações e desdém com a influência digital
Ao abordar o impacto das redes sociais, Lula comparou influenciadores a professores e fez questão de diminuir o fenômeno que levou Bolsonaro a reunir uma das maiores bases digitais da política brasileira.
“Agora tem uma profissão chamada influencer. Os caras que trabalham em internet têm 3 milhões de seguidor. Eu não conheço um professor de matemática que tenha 4 milhões de seguidores. Eu não conheço um professor de geografia que tenha 4 milhões de seguidores. Eu não conheço ninguém que ensina uma coisa séria que tenha 4 milhões. Mas se o cara estiver falando bobagem, pode até ter 20 milhões. O Bolsonaro tinha 30 milhões”, disse Lula, sob aplausos do público.
Para críticos do presidente, a declaração revela ressentimento com o alcance popular do adversário, mesmo após sua condenação e prisão, algo que Lula jamais conseguiu replicar organicamente nas plataformas digitais.
Ataque às redes e discurso sobre “mentira”
Na sequência, Lula avançou no ataque ao ambiente digital, associando o sucesso de Bolsonaro à disseminação de mentiras e à facilidade de enganar o público.
“Então é assim, gente, é mais fácil acreditar numa mentira. Porque a verdade você tem que provar, a mentira você não tem que provar. Eu falo que o cara não presta, você acredita. Você nem conhece o cara, por você acredita, po… Vai procurar conhecer o cara. Então estamos vivendo o mundo da mentira. Estamos vivendo uma situação muito delicada”, afirmou.
Aliados de Bolsonaro interpretaram o discurso como uma tentativa de deslegitimar o apoio popular ao ex-presidente, atribuindo sua relevância política exclusivamente à desinformação — argumento visto como conveniente por um governo que enfrenta queda de popularidade.
Lula mira 2026 e admite temor eleitoral
Em outro trecho, Lula deixou transparecer preocupação com o cenário eleitoral e com a força das redes sociais na disputa de 2026, ano em que pretende concorrer ao quarto mandato presidencial.
“A gente não pode ficar sendo algoritmo, robotizado pelo que eles querem que a gente veja e que a gente acredite todo dia. É preciso que a gente se lembre que vai ter uma eleição. E é importante se lembrar que se a gente não for esperto, a mentira vencerá a verdade”, declarou.
A fala foi lida por opositores como um alerta defensivo, indicando receio de que a influência digital — personificada por Bolsonaro — volte a pesar contra o PT nas urnas.
Disputa sucessória no horizonte
Embora Bolsonaro esteja preso, seu grupo político segue ativo. Até o momento, o campo da direita conta com nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Para críticos do Planalto, o discurso de Lula revela que, mesmo atrás das grades, Bolsonaro segue sendo o principal fantasma eleitoral do presidente, despertando ironias públicas que soam mais como incômodo do que como confiança.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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