O jornalista David Ágape revelou que os documentos que embasam a nova fase da investigação Vaza Toga foram oferecidos a diversos grandes veículos de imprensa do Brasil — e todos recusaram a publicação. “Alguns elogiaram o trabalho, reconheceram sua importância, mas disseram que era ‘perigoso demais’”, relatou. A denúncia foi ignorada pela mídia tradicional, apesar de trazer indícios de graves abusos por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
RIP jornalismo brasileiro. Jornalista @david_agape_ revela que os arquivos publicados hoje foram oferecidos a TODOS os grandes jornais brasileiros e NENHUM topou publicar.
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) August 4, 2025
Parabéns à coragem do David, do @EliVieiraJr e do @shellenberger . E que vergonha da nossa "imprensa".
Em parceria com Eli Vieira e Michael Shellenberger, Ágape publicou nesta segunda-feira (4) a continuação da investigação, intitulada “The January 8th Files: Inside Brazil’s Secret Judicial Task Force for Mass Arrests”. O relatório detalha como o STF teria criado uma força-tarefa paralela dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar e classificar os presos do 8 de janeiro de 2023. Segundo a apuração, a operação vasculhou redes sociais em busca de curtidas, postagens e opiniões políticas, utilizando sistemas sigilosos, violando bancos de dados e agindo sem ordem judicial, contraditório ou direito à defesa.
Os critérios para manter manifestantes presos, de acordo com Ágape, incluíam seguir páginas de direita, criticar o ex-presidente Lula ou o próprio STF, ou até ter publicado postagens antigas, como tuítes de 2018 contra o PT — anos antes dos atos de 8 de janeiro. Casos em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou a soltura, mas os acusados permaneceram presos, também são citados. “Como todo mundo sabe, o inquérito do 8 de janeiro virou um instrumento para perseguir qualquer pessoa de direita”, afirmou o jornalista em vídeo publicado na rede X (antigo Twitter).
A apuração levou meses de trabalho silencioso e arriscado. Foram horas de cruzamento de dados, entrevistas, verificação de documentos e checagens rigorosas. “Estou arriscando tudo. Tudo mesmo. Minha carreira, minha segurança, minha liberdade. Pensei muito antes de publicar esse material. A decisão mais segura para mim seria não publicar. Fui aconselhado a ficar quieto. Mas como jornalista, eu não posso me calar”, declarou Ágape.
O que também chama atenção é o padrão de silêncio da mídia tradicional, que, segundo ele, se repete desde outros episódios de censura informal. O caso relembra, por exemplo, a tentativa de suprimir o documentário Gagged in Brazil (2008), que denunciava a relação entre imprensa e política em Minas Gerais.
A nova fase da Vaza Toga também sustenta que a repressão judicial excessiva aos manifestantes foi fundamental para sustentar a narrativa de uma tentativa de golpe — narrativa central no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eles tentaram enterrar a verdade. Mas a verdade tem um defeito: ela insiste em aparecer. E agora, depois de meses de silêncio, ela está de volta — com força total”, enfatizou Ágape.
A Vaza Toga 2 não apenas denuncia os abusos do STF, como também revela a omissão deliberada da grande mídia, que preferiu ignorar os fatos apresentados — reforçando, segundo os autores, um cenário de censura, perseguição e impunidade.