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Quinta-feira, 23 de Abril 2026
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Isolado na floresta: a história do último sobrevivente de um povo indígena

Tanaru, conhecido como “Índio do Buraco”, viveu sozinho na Amazônia até morrer em 2022. Caso é inédito no STF.

Isolado na floresta: a história do último sobrevivente de um povo indígena
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O Fantástico mostrou a história do último sobrevivente de um povo indígena. Conhecido como o Índio do Buraco, ele vivia isolado na floresta amazônica e resistiu ao contato com o homem branco até sua morte, em 2022. Uma discussão inédita, na mais alta corte do país, vai decidir o destino da terra dessa etnia misteriosa.

Último sobrevivente do seu povo

Sem pista da sua etnia, a FUNAI passou a chamar o indígena de "Tanaru", nome de um rio da região.

Tanaru, apelidado de “Índio do Buraco”, foi o último sobrevivente de seu povo, massacrado por fazendeiros. Ele viveu isolado por mais de 25 anos na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia.

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A floresta onde vivia guarda um mistério: mais de 1.300 buracos escavados no solo, retângulos do tamanho de uma pessoa, sem vestígios de comida ou uso sanitário. A origem e o propósito desses buracos permanecem desconhecidos.

Primeiro contato e acompanhamento

A Funai confirmou a existência de Tanaru na década de 1990, após imagens mostrarem o indígena armado com arco e flecha. Ele recusou alimentos e ferramentas oferecidos, mantendo a distância. Ao longo dos anos, sinais como roças cultivadas e árvores derrubadas para coleta de mel indicavam que estava bem de saúde.

Primeiro registro do indígena Tanaru — Foto: Reprodução Fantástico

Tanaru nunca demonstrou hostilidade, mas também não aceitava aproximação. A única comunicação possível era por gestos e assovios.

Em uma das raras interações, ele apontou uma flecha para a equipe, recuando apenas quando os visitantes se afastavam.

“Ele não atirou no Altair, mas em mim, porque identificou a câmera como uma arma”, conta o documentarista Vincent Carelli.

Massacres

A região onde Tanaru viveu foi intensamente desmatada a partir dos anos 1980, durante a ditadura militar. Caminhões carregados de madeira saíam diariamente, e a floresta parecia infinita — até ser quase totalmente destruída.

A ocupação da terra foi facilitada por um documento chamado “certidão negativa de presença indígena”, que, em vez de proteger, acabou sendo usado para justificar remoções forçadas e massacres. Estima-se que mais de 8 mil indígenas foram mortos nesse período.

A morte e o legado

Em agosto de 2022, equipes da Funai encontraram Tanaru morto em sua rede, cercado de seus artefatos. Ele usava um cocar e um colar de sementes.

“Estava olhando para a porta, com as pernas cruzadas e a mão na cabeça”, descreve Adonias.
A autópsia não identificou a causa da morte. Ele viveu em 53 palhoças diferentes, sempre em fuga. Após sua morte, o corpo foi levado para Brasília, mas o laudo foi inconclusivo. O enterro só ocorreu 71 dias depois, após pressão de organizações indígenas.
 

Disputa pela terra

Mesmo após o sepultamento, invasores foram flagrados na terra de Tanaru. Ambientalistas e indígenas pedem ao Supremo Tribunal Federal que o território seja interditado como forma de reparação histórica.

“Nada mais justo que essa floresta continue em pé, como símbolo da resistência indígena”, afirma Fábio Ribeiro, do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados.
Há também propostas de tombamento da área como memorial e sítio arqueológico, preservando a memória de um povo que foi apagado.
Registro de indígena isolado - Amazônia  — Foto: reprodução Fantástico

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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