Em 2021, quando estava com 87 anos, a gaúcha Maria Helena Moehlecke descobriu que tinha duas lesões compatíveis com câncer de pele em seu nariz. A área afetada parecia pequena, mas teve dois tratamentos diferentes: uma foi retirada cirurgicamente e a outra foi tratada com foco na radioterapia.
Até a primeira consulta, Maria Helena não desconfiava de que o quadro pudesse ser grave. “As lesões pareciam discretas, não desconfiamos. Achamos que não era nada, já que as manchas eram muito pequenas. Eu só sentia coceira e doía um pouco às vezes, mas não era nada que tivesse chamado a atenção”, resume.
A descoberta das lesões aconteceu em abril, durante uma consulta médica de rotina. A avaliação com a cirurgiã plástica indicou que as lesões deveriam ser retiradas em cirurgia. Entretanto, a descoberta ocorreu no meio da pandemia de Covid-19, o que complicou as agendas de atendimento e ela só conseguiu retirar o câncer de pele um mês depois do previsto
“Descobrir o câncer foi algo que me assustou no início, mas depois foi mais tranquilo. Eu sempre pensava que iria passar por isso, vencer essa etapa”, completa ela.
Luta dupla contra o câncer, um com cirurgia, outro não
A lesão situada no dorso nasal foi retirada na cirurgia, mas a da ponta do nariz de Maria sofreu complicações e já não havia a possibilidade de fazer a cirurgia. Naquele caso, o tumor estava mais profundo e seria necessária uma reconstrução do nariz caso fosse feita a retirada.
A idosa foi encaminhada para tratamento com o cirurgião oncológico e descobriu ali a possibilidade de fazer radioterapia para lidar com o tumor. A possibilidade de um tratamento efetivo e menos invasivo chamou a atenção de Maria Helena, que iniciou as rodadas de tratamento com confiança.
“Tinha muita certeza de que daria certo. Na verdade, eu nunca me assustei muito. Tinha medo, mas confiava na equipe médica”, lembra. Em agosto, após a cicatrização do primeiro procedimento, tiveram início vinte sessões conforme plano terapêutico definido.Ela não enfrentou recidivas e sua única complicação foi ficar com a pele irradiada. “Tive uma infecção que foi bem dolorida, mas logo combatida com a medicação indicada e não tive qualquer outro problema depois”, conta a paciente.
Como orientação final, a gaúcha aconselha: “Que as pessoas não se exponham ao sol sem protetor, usem chapéu, fiquem atentos as lesões e procurem um dermatologista logo que perceberem algo diferente.”



O papel da radioterapia contra o câncer de pele
Segundo a radio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), a radioterapia pode ser utilizada como tratamento inicial e isolado, mas, a depender do caso, também pode ser usada após a cirurgia para lidar com lesões mais complexas.
“A radioterapia utiliza radiação ionizante para causar danos ao DNA das células do câncer, impedindo que elas se multipliquem. A presença de oxigênio favorece a formação de substâncias que aumentam o dano às células tumorais, potencializando a ação da radioterapia. A oxigenação cutânea favorece o efeito terapêutico”, indica.
Dados apresentados pela SBRT revelam que o uso da radioterapia é especialmente eficaz nos cânceres de pele que não são do tipo melanoma, removendo 90% da doença. Ela costuma ser uma alternativa quando a cirurgia não é viável, a lesão ocupa grandes áreas ou está em regiões de difícil abordagem cirúrgica como pálpebras, nariz ou orelhas.
Antes de iniciar a radioterapia, o paciente passa por uma etapa detalhada de planejamento. Esse processo é essencial para definir a dose de radiação adequada e identificar com precisão a área que deve ser tratada. Os protocolos mais apropriados serão definidos pelos médicos que atenderem o caso.
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Fonte/Créditos: Metrópoles
Créditos (Imagem de capa): Reprodução/ acervo pessoal


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