uncionários e moradores de Serraria (PB), cidade de cerca de 6 mil habitantes, afirmam que Ary Gustavo Soares, assessor parlamentar do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), exerce funções de caseiro na fazenda do deputado, apesar de receber salário e benefícios de R$ 7,2 mil mensais pagos pelo Legislativo.
O cargo de secretário parlamentar exige dedicação exclusiva de 40 horas semanais a atividades parlamentares, o que, segundo a lei, impede vínculos com outras ocupações que possam gerar conflito de interesse. Mesmo assim, relatos colhidos pelo jornal Folha de S.Paulo indicam que Soares administra a rotina da propriedade durante os dias úteis, dormindo na casa principal e retornando a Patos, onde mora com a família, apenas nos fins de semana.
A reportagem também apurou que Ary atuou como representante da fazenda em um processo trabalhista, no qual um ex-tratorista recebeu R$ 18 mil de indenização. O acesso ao local é controlado por uma funcionária que confirmou a presença dele no momento da visita. Técnicos e vizinhos afirmam que qualquer demanda sobre a fazenda é resolvida diretamente com Soares.
A propriedade, avaliada em R$ 2,7 milhões, foi adquirida em março de 2023 e está registrada em nome de uma empresa da esposa e dos filhos de Motta. No endereço funciona a Agropecuária Tapuio, de propriedade do presidente da Câmara.
Nos fins de semana, segundo políticos locais, Ary também atua como motorista de Motta. A norma interna da Câmara permite que secretários parlamentares dirijam para seus superiores, desde que a atividade esteja vinculada ao mandato, e não a funções pessoais.
Dois parentes do caseiro também ocupam cargos públicos. Sua esposa, Isabella Perônico, trabalha no gabinete da avó de Motta e recebe R$ 14,3 mil por mês. Já o irmão, André Guedes, é superintendente da PatosPrev, nomeado pelo prefeito de Patos e pai de Hugo Motta, Nabor Wanderley, com salário de R$ 13 mil.
O caso surge após denúncias recentes de que o deputado mantinha três funcionárias fantasmas em seu gabinete — duas foram exoneradas, enquanto uma permanece no cargo. À época, Motta declarou “prezar pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários” e que todos atuam dentro das regras da Câmara.
Créditos (Imagem de capa): Foto: TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO