O Palácio do Planalto mudou o tom e passou a admitir que as propostas de tarifas aos produtos brasileiros e a classificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas têm as digitais do próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Antes, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuíam somente ao secretário de Estado americano Marco Rubio, a ala mais ideológica da gestão do republicano, as medidas contra o Brasil. O argumento era usado, justamente, para delimitar o alcance da atuação da direita brasileira na Casa Branca.
A mudança no tom ocorre após Trump receber em seu gabinete na semana passada o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, junto com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo. Dois dias depois, os EUA anunciaram que designaram as facções brasileiras como terroristas, como defende o bolsonarismo.
Na terça-feira (2), Trump também publicou uma foto em que Flávio Bolsonaro aparece ao lado dele, no Salão Oval da Casa Branca. "Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — Um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!", publicou o presidente americano.
Os Estados Unidos anunciaram três medidas sobre o Brasil na última semana:
- A primeira foi anunciada na última quinta-feira (28), quando o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Comando Vermelho e o PCC como "Terroristas Globais Especialmente Designados". O comunicado foi assinado pelo secretário Marco Rubio.
- Na segunda-feira (1°), o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional". O órgão é liderado pelo embaixador Jamieson Greer.
- Na terça-feira (2), o USTR propôs uma nova tarifa: uma sobretaxa de 10% a 12,5% sobre produtos do Brasil e de outras 59 economias que teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado.
Hoje, o Planalto descarta a possibilidade de um recuo dos Estados Unidos em relação à classificação das facções como grupos terroristas e na taxa de até 12,5% contra o trabalho forçado. Todavia, integrantes do Executivo acreditam que o grupo de trabalho criado para discutir o tema pode evitar a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Fonte/Créditos: CNN
Créditos (Imagem de capa): Foto: Ricardo Stuckert / PR
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