A ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira (16) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por causa de um vídeo publicado nas redes sociais no qual ela aparece associada a organizações criminosas.
Na ação, a defesa da ministra afirma que o senador teria feito uso “nefasto do abuso” do direito de expressão e da inviolabilidade parlamentar “com o intuito de aniquilar a reputação de adversários políticos, por meio de propagação de medo e ódio”. Gleisi pede na Justiça a remoção do conteúdo e indenização por danos morais.
O vídeo citado na ação foi publicado por Flávio no domingo (15). Utilizando recursos de inteligência artificial, a publicação traz a imagem da ministra em uma narrativa que sugere vínculos do PT com criminalidade e violência. Na legenda, o senador escreveu: “As ligações do PT com o submundo parecem não ter limites. Lula e o PT sempre acabam se alinhando com o que não presta”.
A narração do vídeo afirma que determinados setores políticos tentariam “inverter o jogo”, acusando adversários daquilo que praticariam. O conteúdo também menciona críticas à forma como parte da esquerda trata o tema da segurança pública e a atuação contra facções criminosas.
A fala faz referência indireta a uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dada durante entrevista coletiva em Jacarta, na Indonésia, quando ele afirmou que traficantes também seriam vítimas dos usuários de drogas. Posteriormente, o presidente se desculpou pelo comentário.
O governo federal também tem sido alvo de críticas de opositores por resistir ao pedido do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, para classificar facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Integrantes do governo argumentam que essa classificação poderia abrir margem para eventual interferência externa no país sob o pretexto de combate ao crime.
O episódio ocorre em meio a uma escalada de ataques políticos nas redes sociais. Na semana passada, Gleisi Hoffmann e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também divulgaram um vídeo que sugeria ligações de Flávio Bolsonaro com organizações criminosas.
Na ocasião, o senador respondeu em nota: “O PT mente. Essa é mais uma fake news para tentar salvar Lula e todos aqueles que estão consumindo o Estado por dentro. A única coisa que o nome Flávio Bolsonaro representa para qualquer facção ou grupo criminoso é algoz”.
A disputa acontece em um momento em que segurança pública ganha peso no debate político com a aproximação das eleições de outubro. Governo e oposição tentam se posicionar como defensores de medidas mais duras contra o crime.
Atualmente, está em discussão no Congresso a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo Lula. A bancada de oposição apresentou mudanças no texto para incluir medidas como o endurecimento de penas e a redução da maioridade penal — propostas que encontram resistência em setores da esquerda.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em novembro mostrou que 88% dos entrevistados defendem penas mais altas para criminosos, enquanto 73% apoiam classificar organizações criminosas como terroristas — ponto que tem gerado divergência dentro do governo federal.
Embora a responsabilidade direta pela segurança pública seja principalmente de estados e municípios, o tema tem se tornado central no debate nacional e pode influenciar o cenário político nos próximos meses.
Fonte/Créditos: Terra
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
Comentários: