O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais contra pacientes no Paraná, foi solto um dia após a prisão por decisão da Justiça.
O profissional de medicina foi detido na quarta-feira (06), em Curitiba, mas deixou a prisão na quinta-feira (07), após o entendimento de que um dos casos investigados já estaria prescrito.
Além de atuar na área médica, Felipe Lucas também teve carreira política no Paraná: foi vereador, prefeito de Irati e deputado estadual.
A defesa dele nega as acusações.
Caso envolve paciente em trabalho de parto
As informações são da Agência Estado. A prisão preventiva havia sido decretada por um caso ocorrido em 2011, em Teixeira Soares, nos Campos Gerais do Paraná.
Segundo a investigação, a vítima relatou que estava em trabalho de parto quando Felipe teria passado cerca de cinco minutos tocando a parte externa de sua genitália durante um exame antes do nascimento do bebê.
O ato só teria parado após a entrada de uma enfermeira na sala.
O caso só foi denunciado à Polícia Civil neste ano, depois que outras pacientes passaram a relatar episódios semelhantes.
Justiça apontou prescrição do crime
Na decisão que mandou soltar o acusado, o juiz substituto Felipe Vargas Coan considerou que o crime prescreveu.
Como Felipe Lucas tem mais de 70 anos, o Código Penal prevê redução pela metade do prazo prescricional.
O caso havia sido enquadrado como estupro de vulnerável, mas, com a redução do prazo, a Justiça entendeu que o Estado não poderia mais aplicar punição criminal nesse episódio específico.
Apesar disso, a investigação segue sendo utilizada para fortalecer outras apurações contra o profissional.
Outras mulheres relataram episódios semelhantes
Além do caso envolvendo a paciente em trabalho de parto, a Polícia Civil investiga outros relatos feitos por mulheres que afirmam ter sofrido toques íntimos e massagens indevidas durante consultas ginecológicas.
Uma das denúncias mais recentes envolve uma paciente de 24 anos que procurou a polícia após um atendimento ocorrido neste ano, em Irati.
Segundo a investigação, o médico teria alegado estar realizando um “estímulo de libido” durante o exame ginecológico. A vítima relatou que estava acompanhada do filho de 5 anos no consultório.
Nesse caso, Felipe Lucas se tornou réu por violação sexual mediante fraude.
Outros relatos, registrados em 2011 e 2016, também foram ouvidos pela polícia, embora estejam prescritos.
Influência política teria dificultado denúncias
Segundo apuração citada no caso, algumas vítimas afirmaram ter demorado para denunciar o médico por medo da influência política dele na região.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de um padrão de comportamento ao longo dos anos.
Defesa nega acusações
A defesa de Felipe Lucas afirmou que ele nunca praticou crimes sexuais ao longo da carreira médica.
Os advogados também classificaram a prisão como “injusta e desnecessária” e disseram que vão adotar medidas judiciais contra acusações consideradas caluniosas.
Felipe teve carreira política no Paraná
Formado em medicina nos anos 1970, Felipe Lucas atuou por décadas como ginecologista e obstetra no interior do Paraná.
Na política, foi vereador em Irati, prefeito do município entre 1993 e 1996 e deputado estadual na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Em 2024, recebeu homenagem do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) pelos 50 anos de profissão.
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