O narcotraficante Gerson Palermo chegou ao aeroporto de Viru Viru, na Bolívia, onde foi colocado em uma aeronave da Polícia Federal, após ser expulso do país. O brasileiro está sendo trazido para Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, onde deverá ficar preso depois de passar seis anos foragido.
A operação conta com grande reforço da polícia boliviana, que realizou a prisão do chefe do PCC na manhã de terça-feira (26). Desde então, Palermo ficou detido no departamento Interpol, em Santa Cruz de La Sierra.
Inicialmente, a ideia era trazer Gerson via terrestre até a fronteira da Bolívia com Corumbá (MS). Porém, devido ao protestos ocorrendo nas estradas bolivianas, que estão fechando as pistas, decidiu-se trazer o narcotraficante pelo ar.
A chegada da aeronave em Campo Grande está prevista até o final da tarde desta quarta-feira (27). Ainda não foi divulgada informação para qual unidade prisional que Gerson Palermo será levado.

Prisão
Segundo a Polícia Federal (PF), os policiais bolivianos localizaram Palermo com base nas informações repassadas pelas equipes brasileiras.
“Foi um trabalho de inteligência, um trabalho de monitoramento realizado pela Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico. Em virtude disso, conseguiu-se a prisão deste indivíduo e, como eu disse, já está em processo de expulsão do nosso país”, disse o Coronel David Gómez.
Gerson Palermo aguarda o processo de expulsão e transferência para o Brasil na sede da Interpol em Santa Cruz de la Sierra.

Vida na Bolívia
Em entrevista, o coronel David Gómez, comandante departamental de Santa Cruz, afirmou que Gerson Palermo não responde a nenhum processo na Bolívia. No entanto, também é investigado lá por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
“De acordo com a informação preliminar que se tem, ele não teria nenhum processo [na Bolívia]. Mas sim, este sujeito estava se escondendo, estava fugindo da justiça brasileira no nosso departamento. A investigação que está sendo realizada é em virtude também do nosso plano da Operação Halcón contra o crime organizado. É um plano que, como tínhamos indicado anteriormente, é de caráter estrutural”.Coronel David Gómez
Segundo o coronel, a operação é realizada em duas frentes: a primeira de policiamento permanente e a segunda de ações investigativas. “Criamos grupos de investigação em todas as áreas para gerar e poder alcançar a prisão de pessoas que se dedicam ao crime organizado. E o resultado é este, com a prisão de um indivíduo de nacionalidade brasileira que tem relação com o PCC.”
Histórico de Gerson Palermo
Gerson Palermo, de 68 anos, é conhecido pelo histórico de crimes ligados ao tráfico de drogas e assalto a bancos, mas ele ganhou notoriedade ao sequestrar um avião da Vasp em 2000.
Segundo a polícia, ele foi o cabeça do plano que desviou a aeronave da rota para Porecatu (PR) com o objetivo de roubar R$ 5,5 milhões em malotes bancários. Pelo crime, foi condenado a 59 anos de prisão.
A sentença somou a uma condenação antiga por tráfico e transformou a pena em 126 anos.
Palermo começou a cumprir a pena, mas, em abril de 2020, ganhou o benefício da prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, e, em menos de cinco horas “na rua”, rompeu o equipamento e fugiu. Desde então era procurado e, recentemente, foi incluído na lista dos principais criminosos do país, o Programa Captura.
A soltura do narcotraficante
Em abril de 2020, o país enfrentava a pandemia de coronavírus, e a ordem era que presos idosos e com comorbidades cumprissem regime domiciliar. Gerson Palermo não se enquadrava nas regras; mesmo assim, a defesa pediu e, em um plantão de feriado de Tiradentes, o então desembargador Divoncir Maran concedeu o benefício.
Palermo saiu da prisão, se livrou do monitoramento e fugiu.
Em abril de 2024, Divoncir Maran se tornou alvo da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido propina para liberar o narcotraficante. Diante dos indícios de corrupção, o desembargador foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com aposentadoria compulsória.
Fonte/Créditos: Primeira Página
Créditos (Imagem de capa): (Foto: FELCN)
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