Ao comentar sobre reuniões com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, afirmou, nesta quarta-feira (8), que conversou com ministros da Corte para "tratar da Magnitsky", lei dos Estados Unidos que foi utilizada no ano passado para sancionar o magistrado, mas que não confirma que recebeu "seis ligações do ministro".
Segundo o dirigente do BC, em conversas com Alexandre de Moraes, o magistrado "sempre foi cordial" e, os encontros sempre ocorreram no gabinete do ministro.
"Eu não confirmo que recebi seis ligações do ministro. Eu acho que eu nunca falei ao telefone com o ministro Alexandre. Tive reuniões pessoais com ele no gabinete. Eu jamais falei com ele por telefone", disse o economista.
Galípolo também negou ter tido qualquer contato com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, a não ser "socialmente".
"O ministro Alexandre, ou qualquer ministro do Supremo, teve uma relação da mais cordial possível comigo. De todas as crises que a gente teve ao longo de 2025, talvez a mais complexa foi relativa a Magnitsky", declarou.
"Eu passo a ter uma reunião com uma série de minsitros do Supremo sobre temas relativos a Magnitsky. Essas reuniões tinham dois tipos de cuidados que precisavam ser tomado: de um lado, a publicidade ensejava ilação que poderia se reverter em risco para o sistema financeiro. Do outro lado, cada um desses ministros que estavam envolvido na Magnitsky, tinham discussões que envolviam a sua privacidade do sigilo bancário e financeiro, da qual eu tenho a obrigação de zelar", acrescentou.
Depoimento na CPI do Crime Organizado
O presidente do Banco Central foi convidado a prestar depoimento na comissão. O requerimento que fundamentou a ida de Galípolo destaca que ele esteve presente em uma reunião, no Palácio do Planalto, que contou com a participação do presidente Lula e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Sobre o tema, Galípolo afirmou que recebeu uma orientação para que atuasse de forma "técnica" durante a reunião.
“Recebi, sempre assim: ‘Seja técnico, o mais técnico possível, você tem toda autonomia nesse processo para você perseguir, seja quem for e investigar, seja quem for, mas também não faça nenhum tipo de pirotecnia. A orientação sempre foi essa”, explicou o economista.
A comissão tem prazo de funcionamento até 14 de abril, e tem avançado sobre o caso Master. A cúpula do colegiado pressionava pela prorrogação do prazo de funcionamento, mas o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), descartou a possibilidade.
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nessa terça-feira (7) que Davi Alcolumbre não deve prorrogar os trabalhos da comissão.
Em entrevista coletiva, o senador disse que Alcolumbre usou o calendário eleitoral deste ano como justificativa para seguir o entendimento de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema e encerrar as atividades da CPI na próxima terça-feira (14).
Fonte/Créditos: CNN
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
Comentários: