A decisão do presidente Lula (PT) de acabar com a chamada taxa das blusinhas provocou reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Em tom irônico, o parlamentar associou a medida ao calendário eleitoral e questionou as reais intenções do governo ao revogar o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
O comentário foi feito nesta terça-feira, 12, durante a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em entrevista ao Metrópoles, Flávio não poupou críticas.
Acho que a gente tinha que ter eleição todo mês, né, para ele fazer as coisas certas, é, com mais frequência, mas é mais um ano de eleição. Passou vários anos aqui sem combater crime organizado e agora vai passar combater crime organizado. Passou três anos e meio taxando todo mundo e agora tá ‘destaxando’. Mas eu fico feliz que ele tenha feito a revogação da taxa das blusinhas, como eu anunciei que faria a partir do meu governo”, declarou o senador.
Cobrança sobre produtores nacionais também está na mira
Além de ironizar a motivação eleitoral por trás da revogação, Flávio Bolsonaro aproveitou para cobrar do governo federal uma redução mais ampla da carga tributária e da burocracia que recai sobre os produtores brasileiros. Para ele, o fim da taxa das blusinhas é insuficiente sem medidas complementares.
“E agora, obviamente, tem que ter um jeito de reduzir a carga tributária, o peso do estado sobre os produtores nacionais. Falta completar essa parte e aí nós vamos ver se realmente ele quer fazer a coisa certa ou quer só jogar para a plateia. Então, parabéns pela revogação da taxa das blusinhas, mas ele tem que fazer a revogação agora dos grandes encargos tributários e e burocráticos que existem sobre os produtores nacionais. É aqui que a gente resolve. Vamos valorizar a indústria nacional. tirando o peso do estado sobre eles.”
Entenda como funcionava a taxa das blusinhas
O imposto de importação de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50 começou a ser cobrado em agosto de 2024, por meio do programa Remessa Conforme. A cobrança foi aprovada pelo Congresso Nacional e depois sancionada por Lula. O termo “taxa das blusinhas” se popularizou como referência ao tributo que encarecia produtos comprados em plataformas estrangeiras.
Nesta terça-feira, 12, Lula anunciou a revogação da medida. O fim da cobrança entra em vigor já na quarta-feira, 13, e será oficializado por meio de uma Medida Provisória (MP) publicada no Diário Oficial da União.
Arrecadação bilionária em poucos meses
Mesmo com a revogação, os números mostram o peso que a cobrança teve nos cofres públicos. Nos primeiros meses de 2026, o governo federal arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação com encomendas internacionais. O montante representa um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a receita foi de R$ 1,43 bilhão.
A manutenção do tributo por cerca de dois anos foi um dos pontos mais criticados por Flávio Bolsonaro, que classificou a revogação como uma atitude tardia e motivada pela proximidade das eleições.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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