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Terça-feira, 28 de Abril 2026
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Festival de música negra no DF faz evento sem artistas negros

Festival Melodya, realizado na grade do Festival de Música Negra, trouxe artistas de fora da capital. “Piada de mau gosto”, opinou público

Festival de música negra no DF faz evento sem artistas negros
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Um festival realizado nesse fim de semana no Distrito Federal chamou a atenção do público por uma possível contradição entre os realizadores e os artistas selecionados para o evento. O Festival Melodya, que integrou o Festival de Música Negra, contou com pouquíssimos artistas negros na grade de apresentações.

O Festival Melodya foi realizado nos dias 24, 25 e 26, na Praça da Bíblia, em Ceilândia (DF). Como mostram as imagens, o evento anunciou artistas de renome nacional, como as cantoras Melody e Paula Guilherme, os MCs Jhey e Matheuzim, o DJ Lucas Beat, entre outros.

“Festival de música negra sem artistas negros?!”“Nenhum negro no Festival de Música Negra?”“Piada de mau gosto e falta de respeito”, escreveram os seguidores em uma postagem de divulgação do Festival Melodya.

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“Festival de música negra sem artistas negros?!”; “Nenhum negro no Festival de Música Negra?”; “Piada de mau gosto e falta de respeito”, escreveram os seguidores em uma postagem de divulgação do Festival Melodya.

Confira as imagens de divulgação e os comentários do público:

Festival de música negra no DF faz evento sem artistas negros - destaque galeriaProjeto recebeu R$ 700 mil da Lei Aldir Blanc

R$ 700 mil de fomento

O Festival de Música Negra, que está em sua terceira edição, é organizado pela Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF). O projeto recebeu R$ 700 mil de fomento por parte da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab).

Criada em 2022 pelo governo federal, a Pnab repassa recursos aos estados e ao DF para fomentar o setor cultural do país. O Ministério da Cultura é responsável por gerir a iniciativa.

Em maio de 2025, o Festival de Música Negra apareceu como selecionado/habilitado na lista final do Edital da Pnab daquele ano. O projeto foi aprovado dentro do escopo “Festivais e mostras locais de música exclusivos para pessoas negras”.

“Muito contraditório”

A produtora cultural May, que encabeça projetos de música negra na capital, considera “muito contraditório” o Festival Melodya não contar com artistas negros em sua maioria. “É muito contraditório ver um festival que se propõe a celebrar a música negra e não ter artistas negros na line. Isso não é detalhe nem falha de curadoria, é um reflexo de algo que já é comum em Brasília”, opina.

“Enquanto alguns conseguem lucrar usando a cultura negra como tema, quem realmente constrói e sustenta essa cultura segue sem espaço, sem visibilidade e sem acesso aos mesmos recursos”, reflete a profissional. May é produtora de projetos como SintoSoul, AfroKinda e Black Beats DF.

“Cultura negra não é tendência. É vivência, história e resistência. E ignorar os próprios protagonistas não parece falta de opção, parece escolha”, acredita. “Se a proposta é falar de música negra, o mínimo é coerência. Representatividade não é favor, é responsabilidade.”

Outro lado

O Metrópoles procurou a Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF), instituição que elabora o Festival de Música Negra.

A produção executiva do órgão informou que possuía muito espaço vago na grade de programação e não dispunha de recursos financeiros para contratar artistas locais. Firmou-se, então, uma parceria com uma produtora de fora do DF que cuida da carreira dos artistas exibidos anteriormente na reportagem. O Festival Melodya, portanto, teria nascido dessa parceria.

A produção executiva frisou ainda que, na grade do Festival de Música Negra, seis grupos de artistas negros se apresentaram. “Tivemos uma seleção de artistas negros e negras da cidade: DJ Chokolaty, Saphira (filha do DJ Jamaika), Makéna, Canto das Pretas, Samba da Guariba e Café com Samba”, ressaltou.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Divulgação/Festival Melodya

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