O FBI (Federal Bureau of Investigation) e a CISA (Agência de Segurança de Cibersegurança e Infraestrutura dos EUA) emitiram um alerta conjunto nesta sexta-feira (20) sobre uma campanha global de hackers vinculados a serviços de inteligência russos que visa obter acesso não autorizado a contas de aplicativos de mensagens criptografadas, como o Signal. Segundo as agências, milhares de contas já foram comprometidas, embora não tenham divulgado detalhes sobre casos específicos.
O foco dos ataques são usuários considerados de alto valor de inteligência, incluindo funcionários públicos atuais e antigos, militares, políticos e jornalistas. As autoridades destacaram que os hackers não quebram a criptografia dos aplicativos, mas utilizam engenharia social para enganar os usuários e acessar suas contas. Dessa forma, eles conseguem ler mensagens, acessar listas de contatos, se passar pelas vítimas e lançar novos ataques de phishing a partir de identidades confiáveis.
Métodos de ataque
A campanha utiliza principalmente dois métodos:
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Dispositivo vinculado: Os hackers se passam por contatos confiáveis e enviam links ou códigos QR maliciosos. Caso o usuário interaja, o invasor consegue vincular seu próprio dispositivo à conta, mantendo acesso contínuo sem alertar imediatamente a vítima.
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Toma total da conta: Os usuários recebem mensagens que simulam notificações oficiais de suporte, solicitando códigos de verificação ou credenciais de autenticação em dois passos. Ao fornecer essas informações, perdem o controle total da conta.
O diretor do FBI, Kash Patel, reforçou que a vulnerabilidade não está nos aplicativos, mas na forma como os usuários respondem aos ataques de phishing, que têm se tornado cada vez mais sofisticados. Patel afirmou:
“Identificamos atores cibernéticos associados aos Serviços de Inteligência Russos que miram usuários de aplicativos comerciais de mensagens, incluindo Signal. Globalmente, isso resultou em acessos não autorizados a milhares de contas individuais.”
Como os ataques funcionam
Os mensagens de phishing simulam alertas legítimos de segurança, como tentativas suspeitas de login ou pedidos de verificação, buscando criar urgência e pressão para induzir o usuário a compartilhar informações.
Segundo Patel e a CISA, o cifragem dos aplicativos não foi comprometida; os ataques exploram o comportamento humano. Simone Smit, diretora geral do Serviço Geral de Inteligência e Segurança da Holanda (AIVD), reforçou:
“Não é o caso de Signal ou WhatsApp terem sido comprometidos globalmente. As contas individuais estão sendo atacadas.”
O Signal confirmou a campanha em 9 de março, lembrando que a infraestrutura e a criptografia permanecem robustas, e que os ataques se deram por meio de campanhas de phishing sofisticadas, projetadas para induzir usuários a fornecer códigos SMS ou PIN.
Recomendações das autoridades
Funcionários americanos e europeus recomendam que usuários:
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Nunca compartilhem códigos de verificação;
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Verifiquem mensagens inesperadas e confirmem solicitações de informações por canais alternativos;
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Revisem periodicamente as configurações de segurança das contas;
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Ativem funções de segurança adicionais;
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Reportem qualquer incidente suspeito ao IC3 ou à delegacia local.
O FBI e a CISA alertam ainda que os hackers podem adotar novas táticas, como o uso de malware, tornando a vigilância constante essencial para proteger contas.
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