O avanço das investigações sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo com declarações de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e um dos presos na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Conhecido como “Guga”, Lima passou a associar diretamente o PT ao escândalo de fraudes no mercado financeiro investigado pelas autoridades.
Casado com a ex-ministra e ex-deputada Flávia Peres (ex-Arruda), Augusto Lima deve prestar depoimento à Polícia Federal na próxima semana.
Articulação política na Bahia
As informações foram publicadas pela Gazeta do Povo e já haviam sido antecipadas, em dezembro, pelo Diário do Poder. De acordo com os investigadores, Augusto Lima foi responsável por articular a entrada da Cesta do Povo no negócio e por operar o CredCesta, um programa de crédito consignado formalizado durante o governo de Rui Costa (PT) na Bahia, atualmente ministro da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
As operações ocorreram em 2018 e teriam contado com articulação política de Jacques Wagner, à época prestes a deixar a liderança do governo no Senado.
Contratos do INSS sob suspeita
A investigação aponta números expressivos envolvendo crédito consignado do INSS. Entre 2021 e 2025, foram firmados 338.600 contratos, dos quais cerca de 252 mil (74,3%) não teriam autorização dos aposentados em nome dos quais os empréstimos foram concedidos
Segundo os dados apurados, os valores eram descontados diretamente dos benefícios, em um esquema semelhante ao de parcelas mensais de “filiação” não autorizada a sindicatos e associações. O montante investigado chega a R$ 6,7 bilhões em créditos sem comprovação, além de R$ 5,5 bilhões em valores classificados como “acessórios”, sem explicação clara. Ao todo, R$ 12,2 bilhões estão sob análise das autoridades.
Associações baianas no centro das apurações
As associações Asteba e Asseba, ambas da Bahia, aparecem tanto nas investigações envolvendo o Banco Master quanto nos trabalhos da CPMI do INSS. De acordo com os levantamentos, as entidades não possuíam estrutura operacional compatível com o elevado volume de crédito consignado que lhes foi atribuído.
Esses indícios reforçaram as suspeitas de que as associações teriam sido utilizadas como intermediárias em operações irregulares, ampliando o alcance do esquema investigado pela Polícia Federal.
Depoimento pode ampliar crise política
Com o depoimento de Augusto Lima previsto para os próximos dias, investigadores avaliam que novos detalhes sobre a relação entre operadores financeiros e agentes políticos podem vir à tona. A expectativa é que as declarações do ex-sócio de Vorcaro ajudem a esclarecer como programas públicos de crédito foram utilizados e quem participou da articulação institucional que viabilizou as operações sob suspeita.
Fonte/Créditos: Contra Fatos
Créditos (Imagem de capa): Reprodução
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