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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Ex-embaixador dos EUA diz que chance de ação militar na Venezuela subiu para 80%

Mudança no cenário estratégico e presença militar no Caribe elevam temor de intervenção

Ex-embaixador dos EUA diz que chance de ação militar na Venezuela subiu para 80%
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A possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela saltou de 10% para 80% em apenas dois meses, segundo avaliação do ex-embaixador norte-americano James Story, que chefiou a missão diplomática em Caracas entre 2018 e 2023. Em entrevista ao The Guardian, Story afirmou que “a situação no terreno mudou enormemente”, indicando que o contexto atual é mais tenso do que em qualquer outro momento recente.

Envio de tropas e chegada do maior porta-aviões do mundo

Desde agosto, quando o então candidato e ex-presidente Donald Trump determinou o deslocamento de fuzileiros navaisdrones e navios de guerra para o Caribe, a movimentação era vista inicialmente como uma demonstração de força para pressionar o regime de Nicolás Maduro, no poder desde 2013.

Mas o cenário mudou com a chegada do USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do planeta, acompanhado de seu grupo de ataque. Para analistas, essa presença amplia de forma significativa o peso estratégico da operação e reforça a possibilidade de que Washington esteja preparando uma ação mais agressiva.

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Embora o Pentágono apresente a missão como parte de uma ofensiva contra o narcotráfico, os EUA acusam integrantes do governo venezuelano de comando de redes de narcoterrorismo — incluindo Maduro, apontado como líder do chamado Cartel de Los Soles.

Interpretações divididas sobre a intenção de Washington

A combinação entre poderio naval, discurso contra o crime e posicionamento militar próximo ao território venezuelano intensificou os temores de uma intervenção direta. Há divergências entre especialistas em Washington sobre o objetivo final da Casa Branca.

Não está claro se o objetivo é apenas assustar, provocar divisões internas ou abrir espaço para uma ação cirúrgica”, disse Benjamin Gedan, diretor do Programa para a América Latina do Centro Stimson, ao jornal britânico.

Alguns analistas acreditam que o governo norte-americano busca testar a coesão do chavismo. Outros avaliam que a movimentação pode ser um preparativo para uma ofensiva pontual, voltada a atingir setores estratégicos do regime.

Possíveis cenários de ação militar

Entre os cenários discutidos estão ataques de precisão contra estruturas militares, bombardeios limitados e até uma operação aérea curta, descrita por Story como uma ação capaz de “decapitar” o núcleo do governo.

Cada hipótese, no entanto, traz riscos geopolíticos significativos. Gedan lembra que intervenções rápidas podem desencadear consequências imprevisíveis, citando os efeitos da queda de Muammar Kadafi na Líbia, que mergulhou o país em instabilidade prolongada.
Em poucas horas poderíamos destruir a Força Aérea venezuelana, mas o que viria depois?”, questiona.

Riscos para o continente e comparação com conflitos anteriores

Especialistas alertam que um conflito envolvendo a Venezuela poderia ter impacto regional, dada a presença de grupos armados, redes de crime organizado e vastas reservas de petróleo. Para o analista Elías Ferrer, da Orinoco Research, o caso líbio é um alerta sobre a possibilidade de caos após a queda de regimes autoritários.

Gedan acrescenta que um eventual conflito na Venezuela não teria dinâmica similar à invasão do Panamá em 1989:
A Venezuela se parece mais com o Afeganistão do que com o Panamá”, afirma, sugerindo que uma intervenção externa poderia se transformar em um impasse duradouro.

 

 

Fonte/Créditos: Contra Fatos

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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