A permanência do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos Estados Unidos tem gerado apreensão entre setores civis e militares da inteligência brasileira. Ramagem, que deixou o país em setembro, ainda durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser alvo de forte atenção por parte desses órgãos, sobretudo pelo conhecimento que acumulou enquanto esteve à frente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
A 1ª Turma do STF concluiu o julgamento do processo que envolve Ramagem, e, nesta terça-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes determinou o início imediato do cumprimento da pena, além da perda do mandato parlamentar. A decisão ainda será analisada pela turma, mas não altera o início da execução.
Preocupação com informações sensíveis
Ramagem comandou a Abin entre 2019 e 2022 e, como diretor-geral, teve acesso a dados estratégicos, tanto nacionais quanto internacionais. Fontes da área de inteligência ressaltam que o cargo envolve contato com informações altamente sigilosas relacionadas à soberania brasileira, operações conjuntas e cooperação com serviços estrangeiros.
Entre os episódios citados está a chamada Operação Paraguai, quando havia preocupação de que pressões externas pudessem afetar a venda de energia excedente de Itaipu ao Brasil. À época, autoridades americanas — incluindo o senador Marco Rubio — chegaram a demonstrar interesse no tema, especialmente no impacto sobre data centers e infraestrutura energética.
Um oficial ouvido pelo G1 destacou:
“Como diretor da Abin, ele tinha acesso liberado a investigações e relatórios estratégicos. É natural que haja preocupação sobre o que pode ter ficado sob sua guarda.”
Outro militar da área de inteligência lembrou que Ramagem recebeu, ao deixar a agência, um notebook institucional — algo habitual em transições, mas que, diante da atual situação, reacende alertas sobre possíveis materiais ou cópias de documentos sensíveis.
Contexto político e jurídico
Ramagem afirma que deixou o Brasil por motivos de segurança pessoal e tem feito críticas públicas ao ministro Alexandre de Moraes. Ele nega qualquer irregularidade e diz que a ação contra ele possui vícios.
Mesmo com a decisão do STF, sua situação deverá seguir sendo avaliada nos Estados Unidos, onde reside atualmente.
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): Vinícius Schmidt/Metrópoles
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