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Quinta-feira, 23 de Abril 2026
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EUA anunciam saída da Unesco e acusam agência da ONU de manter ‘viés contra Israel’

Medida deverá entrar em vigor no fim de 2026; decisão sinaliza mais um movimento do governo Trump para cortar laços com organismos multilaterais

EUA anunciam saída da Unesco e acusam agência da ONU de manter ‘viés contra Israel’
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Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira que vão deixar novamente a Unesco, a agência educacional, científica e cultural das Nações Unidas, citando o que consideram um viés anti-Israel da organização. A decisão, divulgada pelo governo, ocorre apenas dois anos após o país ter voltado a integrar o organismo — e sinaliza mais um movimento do governo de Donald Trump para cortar laços com organismos multilaterais.

Divulgada pelo Departamento de Estado, a medida deve entrar em vigor no fim de dezembro de 2026. A porta-voz da pasta, Tammy Bruce, disse em nota que a permanência americana na organização “não está [alinhada ao] interesse nacional” e acusou a Unesco de promover “causas sociais e culturais divisivas”, dando ênfase excessiva aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU — descritos por ela como “uma agenda ideológica globalista de desenvolvimento internacional”.

Bruce também afirmou que a retirada está ligada à percepção de que a Unesco promove “causas sociais e culturais divisivas”, destacando que a decisão da agência de admitir o Estado da Palestina como membro pleno é “altamente problemática, contrária à política dos EUA e contribuiu para a proliferação de retórica anti-Israel dentro da organização”.

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Esta será a terceira vez que os EUA deixam a Unesco, sendo a segunda durante uma administração Trump. O republicano já havia anunciado a saída do país da agência durante seu primeiro mandato (2017-2021), e os EUA só retornaram após cinco anos de ausência, quando o governo Biden apresentou novo pedido de reintegração em 2023.

O anúncio não surpreendeu os dirigentes da Unesco, que já esperavam esse movimento após a revisão determinada pela atual administração Trump no início do ano — quando foram anunciadas, entre outras, a retirada do país da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Acordo de Paris (pacto contra o aquecimento global). A expectativa era de que Trump retirasse os Estados Unidos novamente, já que o retorno em 2023 havia sido promovido por seu adversário político.

Embora a retirada americana ainda possa impactar financeiramente a agência, já que os EUA contribuem com uma parcela significativa de seu orçamento, a Unesco tem buscado diversificar suas fontes de receita nos últimos anos. Hoje, a contribuição de Washington representa apenas 8% do orçamento total da organização, publicou a Associated Press.

 

Histórico conturbado

 

Os EUA ingressaram na Unesco em sua fundação, em 1945, mas se retiraram pela primeira vez em 1984, em protesto contra o que alegavam ser má gestão financeira e um viés antiamericano. O país retornou quase 20 anos depois, em 2003, durante o governo de George W. Bush, que afirmou na época que a agência havia promovido reformas necessárias.

Em 2011, o país suspendeu o financiamento da Unesco após a agência aceitar a Palestina como membro pleno, em cumprimento a uma legislação americana que proíbe o repasse de recursos a agências da ONU que concedam esse tipo de status aos palestinos. A decisão tirou quase um quinto do orçamento da organização, levando ao corte de programas. Em 2017, a administração Trump foi além e anunciou a retirada completa dos EUA, mantendo apenas um status de observador.

Fundada após a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de promover a paz por meio da cooperação internacional em educação, ciência e cultura, a Unesco é mais conhecida por seu programa de Patrimônio Mundial, que desde 1972 reconheceu mais de 1,2 mil locais, incluindo o Grand Canyon, nos Estados Unidos, e a antiga cidade de Palmira, na Síria. A agência também mantém uma lista de “patrimônio cultural imaterial da humanidade”, que inclui a baguete francesa e o canto lírico italiano.

Além disso, a Unesco é referência em programas educacionais e atua em áreas como alfabetização, acesso à água potável, igualdade de gênero, educação sexual e promoção de padrões internacionais sobre temas como proteção dos oceanos e ética da inteligência artificial. A nova decisão reacende críticas de afastamento dos Estados Unidos das instituições multilaterais, em especial aquelas associadas ao sistema da ONU.

(Com AFP e New York Times)

Créditos (Imagem de capa): O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento sobre energia na Pensilvânia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

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