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Sexta-feira, 01 de Maio 2026
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EUA ameaçam agir sozinhos na América Latina durante ofensiva contra cartéis

Secretário de Defesa do governo Trump diz que Washington está pronto para atuar sem aliados “se necessário”, enquanto especialistas alertam para risco à soberania latino-americana

EUA ameaçam agir sozinhos na América Latina durante ofensiva contra cartéis
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Em meio à escalada de tensões internacionais envolvendo o Irã, o governo dos Estados Unidos anunciou um acordo com 16 países da América Latina e do Caribe voltado ao combate aos cartéis de drogas na região. Durante o anúncio, autoridades americanas afirmaram que Washington está disposto a agir sozinho no continente, caso considere necessário, o que gerou críticas de especialistas por possível afronta à soberania dos países latino-americanos.

A declaração foi feita pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, realizada na última quinta-feira (5) em Doral, na Flórida.

“Os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque sozinhos, se necessário. No entanto, nossa preferência, e o objetivo desta conferência, é que façamos isso juntos, com nossos vizinhos e aliados”, afirmou Hegseth.

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Segundo o secretário, a coalizão formada na conferência representa uma nova fase da política externa americana inspirada no chamado “Corolário Trump” à Doutrina Monroe, princípio histórico da diplomacia dos EUA que defende a predominância de Washington no continente americano.

A Doutrina Monroe, criada em 1823, prega que as Américas devem ficar livres da influência de potências externas. A nova estratégia foi incorporada à Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgada em dezembro.

Críticas de especialistas

Para o professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona, as declarações do secretário americano representam um alerta sério para a região.

Segundo ele, ao invocar a Doutrina Monroe, os EUA reforçam a ideia de limitar a atuação de outras potências no continente, o que pode restringir a autonomia diplomática dos países latino-americanos.

Carmona também argumenta que o problema do narcotráfico que chega aos Estados Unidos deveria ser tratado principalmente como uma questão interna do país.

Conferência no Comando Sul

A conferência foi realizada na sede do Comando Sul dos Estados Unidos, estrutura militar responsável pelo monitoramento da América Latina e do Caribe.

Durante o encontro, Hegseth afirmou que os EUA buscam acesso irrestrito a áreas estratégicas e ao comércio na região, com o objetivo de fortalecer a cooperação e impedir a influência de potências externas.

Participaram representantes de Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile e Peru, além de países da América Central e Caribe como Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago.

Segundo o Ministério da Defesa da Argentina, além de uma declaração conjunta — que não foi divulgada — foram firmados acordos bilaterais com os Estados Unidos, permitindo adaptações jurídicas em cada país para viabilizar a cooperação.

Posição de Brasil e México

Os governos do Brasil e do México têm defendido que qualquer cooperação no combate ao narcotráfico deve respeitar a soberania dos países latino-americanos.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que a cooperação com Washington deve ocorrer “com coordenação e sem subordinação”.

Já o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva incluiu o combate ao narcotráfico na pauta de negociações com o governo de Donald Trump, defendendo ações conjuntas que respeitem as instituições e a autonomia nacional.

Reação da Colômbia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também comentou as declarações do secretário americano. Segundo ele, o combate aos cartéis exige cooperação internacional, mas não ações unilaterais.

Petro afirmou que os países latino-americanos são os que mais sofrem com a violência associada ao narcotráfico e defendeu uma aliança regional voltada à paz e à segurança.

Aproximação de alguns países com Washington

Enquanto alguns governos demonstram cautela, outros países vêm intensificando a cooperação com os Estados Unidos.

No Paraguai, o Senado aprovou recentemente um acordo que permite a presença de militares americanos no país com imunidade penal, embora a medida ainda precise passar pela Câmara dos Deputados.

Já o Equador anunciou operações militares conjuntas com os EUA contra cartéis de drogas. Em 2025, o presidente equatoriano Daniel Noboa chegou a propor a instalação de bases militares estrangeiras no país, mas a ideia foi rejeitada pela população em referendo.

Especialistas avaliam que o avanço dessas parcerias pode redesenhar o cenário de segurança na América Latina, em meio ao debate sobre soberania nacional e influência externa na região.

Créditos (Imagem de capa): Donald Trump Foto: EE. UU.EFE/ Lukas Coch

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