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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Empresa exige que candidato à vaga de emprego não seja ‘esquerdista’ e Ministério Público pede mudança

Dona de uma empresa de estética, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba publicou um anúncio que foi reconhecido pelo Ministério Público do Trabalho como prática discriminatória por opinião política. Órgão exigiu retratação.

Empresa exige que candidato à vaga de emprego não seja ‘esquerdista’ e Ministério Público pede mudança
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Uma vaga de emprego divulgada nas redes sociais por uma empresa do setor de estética, em Patos de Minas (MG), acabou chamando a atenção do Ministério Público do Trabalho (MPT) após trazer a frase: “pré-requisito mais importante: não ser esquerdista”.

A publicação motivou uma denúncia e levou o MPT a emitir, na quarta-feira (10), uma recomendação formal contra a empresa, classificando o critério como discriminação por opinião política. O órgão deu prazo de até 10 dias para que as determinações sejam comprovadas.

Segundo o procurador do Trabalho responsável pelo caso, Hermano Martins, a exigência fere a Constituição Federal. Para o MPT, a liberdade de consciência e de orientação política não pode ser utilizada como critério para contratação, promoção ou permanência no emprego, independentemente do espectro ideológico envolvido.

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O anúncio foi publicado no perfil pessoal da proprietária da empresa no dia 13 de setembro de 2025. O nome do estabelecimento não foi divulgado pelo MPT, o que impossibilitou o contato direto para esclarecimentos.

Na recomendação, o órgão orienta que a empresa retire qualquer exigência de natureza política em seus processos seletivos e adote medidas para evitar o que chama de “perseguição ideológica” no ambiente de trabalho. Entre as exigências, está também a publicação de um comunicado de retratação nas redes sociais e nas dependências físicas da empresa, pelo prazo de 30 dias.

Até a última atualização, o MPT informou que ainda não havia recebido confirmação sobre o cumprimento das medidas.

O que o MPT determinou

Entre as principais recomendações feitas à empresa estão:

  • Garantir liberdade política a trabalhadores e candidatos, proibindo o uso de orientação ideológica como critério de contratação, promoção ou demissão;

  • Retirar e evitar exigências políticas em anúncios de emprego, incluindo expressões como “não ser esquerdista” ou questionamentos sobre filiação partidária;

  • Impedir práticas de discriminação ou perseguição por convicção política dentro da empresa;

  • Proibir qualquer forma de assédio moral de cunho político, incluindo tentativas de coerção ou intimidação;

  • Publicar retratação oficial no mesmo perfil onde ocorreu a postagem e manter o comunicado por 30 dias;

  • Comprovar ao MPT, dentro do prazo estabelecido, todas as providências adotadas.

O caso reacende o debate sobre liberdade de expressão, limites da atuação do Estado e até onde vai a interferência do poder público nas decisões privadas, especialmente em um país cada vez mais polarizado politicamente.

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